|
Cabral diz a Lula que acordo do pré-sal tem que ser mantido
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral
(PMDB), encontrou-se com o presidente Lula para expor sua preocupação com a
quebra do acordo negociado há duas semanas sobre a distribuição de royalties no
projeto que institui o regime de partilha no pré-sal. O presidente pediu para
adiar a votação do projeto para debater a questão e manter o acordo.
“Depois do esforço de semanas de negociações,
chega a ameaça que me parece mais um butim, um desrespeito federativo, uma
ameaça ao que já foi licitado e que são receitas dos estados”, afirmou o
governador.
Cerca de duas semanas atrás foi fechado um
acordo com o presidente Lula em que a União abria mão de uma parte do que iria
receber do pré-sal para estender o pagamento de royalties aos estados não
produtores de petróleo e aumentar para os produtores. No parecer do líder do
PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), relator do projeto de lei nº 5.938/09 que
estabelece o modelo de partilha para o pré-sal, foi aumentada de 10% para 15% a
alíquota dos royalties e a parcela de recursos a ser dividida entre todos os
Estados e municípios saltou para 44% do total. Pelas regras atuais, o volume
rateado entre Estados e municípios é de 7,5%. Os Estados produtores, como Rio e
Espírito Santo, terão sua fatia elevada de 22,5% para 25%. Isso vale para as
áreas não licitadas do pré-sal.
Mas uma emenda apresentada por alguns
parlamentares no plenário pretende estender o acordo para 28% do pré-sal já
licitado pelo sistema de concessão. Nisso os governadores Sérgio Cabral e Paulo
Hartung, do Espírito Santo, vêm com razão que seus estados vão ter perdas, pois
o impacto dessas alíquotas previstas para serem aplicadas nas áreas novas seria
maior se fossem aplicadas nas áreas antigas, no sistema de concessão, que rendem
menos para o Estado já que o petróleo pertence às empresas estrangeiras que o
exploram. Por isso o sistema foi mudado para o de partilha, para a União ter o
controle da riqueza do pré-sal. Se forem anulados os contratos de concessão nas
áreas antigas e instituída a partilha em todas elas, aí já é um bom começo de
discussão.
“Não aceito nenhum acordo do pré-sal licitado
nem para o estado nem para os municípios. Isso é uma covardia. É uma pena que a
Câmara está com essa discussão. Isso é um erro político brutal”, declarou
Cabral. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que “a ideia é
bancar o acordo feito”, após ter conversado com Lula. A bancada de deputados do
Rio de Janeiro está em obstrução dos trabalhos até que se resolva o problema.
|