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Light deixa
Ipanema, Leblon e Lagoa 24 horas sem energia
Temperatura da
cidade, ventanias, redução do IPI, roubo de fios e até as facilidades de crédito
foram apontados pela empresa como causa dos cortes
O
corte de energia que atingiu parte do Leblon, Ipanema e Lagoa, na zona sul da
capital fluminense, com início às 16h de segunda-feira (23), atingiu
aproximadamente 40 mil pessoas e provocou um prejuízo inicialmente avaliado de
R$ 1,3 milhão aos comerciantes.
“Somente o Cinema Leblon teve um prejuízo de R$ 20 mil. Houve uma queda superior
a 50% no comércio. Não descartamos a possibilidade de processar a Light”,
afirmou Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação Comercial do Leblon.
Os problemas com os transformadores da Light, que não suportam a carga e
estouram, têm aumentado. A falta de luz que começou pela zona sul da capital na
segunda-feira chegou também à zona norte em bairros como São Cristóvão e
Benfica, que tiveram ruas inteiras com o fornecimento interrompido.
Na manhã da terça feira, a região sul ainda viu o terceiro corte de energia em
menos de 24 horas e, apenas dez minutos após o sistema ser religado, teve que
ser desligado novamente por apresentar instabilidade. Ficando regularizado
somente às 14h40 da terça.
Na quarta, além de Ipanema, Leblon e um trecho da Lagoa, outros bairros da
cidade e um da Baixada Fluminense também ficaram sem energia, segundo informou o
superintendente da Light, Carlos Piazza. Segundo ele, a falta de luz atinge
trechos da Tijuca, São Cristóvão, Benfica, Méier, na Zona Norte; Ramos e Penha,
no subúrbio; Jacarepaguá, na Zona Oeste; e de Duque de Caxias, na Baixada
Fluminense.
Na primeira explicação, a Light atribuiu o corte de energia na capital ao
“período mais quente dos últimos quatro anos”. Segundo a empresa, “a população
do Rio de Janeiro está consumindo mais energia e as vendas de equipamentos de ar
condicionados subiram acima da média”.
O superintendente Carlos Piazza afirmou, posteriormente, que o roubo de cabos
subterrâneos e o roubo de uma boia que veda a entrada da água da chuva e de
esgoto nas caixas subterrâneas, também podem ter provocado a falta de energia.
O presidente da Light, José Luiz Alquéres, em entrevista na terça-feira,
minimizou o problema. Disse que o corte só tem repercussão “quando falta luz em
Ipanema e no Leblon”. Já vice-presidente de Clientes da empresa, Roberto
Alcoforado, garantiu que foram feitos investimentos e que a Light é “a melhor
empresa em termos de indicadores de qualidade do Brasil”.
Mas, em pelo menos 13 dias do mês de novembro foram registradas falta de energia
elétrica em vários bairros cariocas, nas zonas norte e sul da capital.
Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da
UFRJ, professor Nivalde José de Castro, o corte foi causado pela falta de
investimentos. “O que acontece hoje no Rio de Janeiro é o aumento do consumo e o
fato de a capacidade da distribuição de energia elétrica não estar devidamente
equacionada. A rede não suporta essa demanda. Se já começou assim, a previsão é
de que os problemas continuem acontecendo no verão. Pois não tem como esses
investimentos serem feitos a curto prazo, não é algo simples e nem rápido”.
“Isso é um mau sinal. O verão irá nos atormentar em janeiro e fevereiro”,
advertiu.
Os deputados Alexandre Santos (PMDB-RJ), Bernardo Ariston (PMDB-RJ), e Nelson
Bornier (PMDB-RJ), não aceitaram as justificativas da Light e voaram de Brasília
para o Rio para cobrar explicações convincentes. Também para os deputados o que
faltou foi planejamento e investimentos por parte da concessionária.
Na terça-feira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
Nelson Hubner, cobrou explicações formais, por parte da empresa. A Light terá
que repassar repasse diariamente informações relacionadas a cada desligamento,
como duração, área e população afetadas.
ALEXANDRE SOUZA |