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Multinacional
LDC Bioenergia irá responder por crime após violar direitos de trabalhadores
Seis fazendas da multinacional francesa LDC
Bioenergia (Louis Dreyfus Commodities) tiveram suas atividades de corte de cana
interditadas após a identificação de 530 trabalhadores terceirizados encontrados
em condições precárias de segurança e saúde no interior de Minas Gerais.
Iniciada no último dia 9, a ação conjunta do
Ministério do Trabalho e Emprego, Polícia Federal e Ministério Público do
Trabalho (MPT) na região de Lagoa de Prata, a 211 quilômetros de Belo Horizonte,
encontrou várias irregularidades.
Nas fazendas da LDC, que viu seu faturamento no
Brasil aumentar de US$ 3,2 bilhões em 2007 para US$ 4,3 bilhões em 2008, a
fiscalização da força-tarefa encontrou terceirização ilícita; ausência de locais
adequados para refeição e sanitários; falta de água para consumo; falta de kit
de primeiros socorros e equipamentos de proteção individual (EPIs).
O faturamento mundial do grupo francês Louis
Dreyfus no ano passado foi de US$ 39,2 bilhões, mesmo assim a companhia não
concedia folga, não pagava horas extras e, de acordo com o relatório de
inspeção, deixou ocorrer em suas propriedades dois acidentes fatais: o primeiro
após o tombamento de um dos tratores em 2007 e o segundo quando um funcionário
se acidentou em uma das máquinas em 2008. “A complexa e diversificada prática de
irregularidades exercida pela empresa coloca em risco não só a segurança e a
saúde, mas a vida dos trabalhadores”, apontou o laudo da ação.
Os procuradores, ao fim da operação em 23 de
novembro, apresentaram à LDC Bioenergia – que foi o primeiro grupo estrangeiro a
comprar usinas no Brasil – proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)
listando as providências necessárias para a adequação da multinacional à
legislação.
A múlti, que no início de novembro adquiriu a
segunda maior empresa sucroalcooleira do Brasil (Santelisa, dona de cinco
usinas), não concordou em assinar o TAC.
Agora cabe ao MPT ajuizar uma ação civil pública
na Justiça do Trabalho pleiteando a condenação da empresa ao cumprimento das
obrigações.
Também está prevista indenização de R$ 2 milhões
por dano moral coletivo, revertida em benefício da classe trabalhadora da
localidade, a título de reparação pelos prejuízos que resultaram da conduta
irregular da empresa.
A Polícia Federal em Belo Horizonte informou que
autuou os franceses por terceirização ilícita de mão de obra e irregularidades
no cumprimento de obrigações trabalhistas. Além disso, os responsáveis pela LDC
responderão inquérito policial pelo crime de reduzir trabalhadores à condição
análoga a de escravo, seja submetendo a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, previsto no artigo 149 do Código Penal. |