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Zelaya chama os
hondurenhos
a “rechaçarem farsa eleitoral”
Presidente de
Honduras denuncia que a fraude de “eleições com usurpadores no governo” é
para “legitimar o golpe contra as reformas sociais”
A
farsa eleitoral promovida pela ditadura encabeçada por Roberto Micheletti
“não tem nenhuma legalidade, não tem o respaldo internacional,
especialmente da OEA e da ONU. Todos os países se pronunciaram desconhecendo
esse processo espúrio, a exceção dos Estados Unidos e uns poucos, governos
servis”, afirmou o presidente consti-tucional, Manuel Zelaya.
Estes, prosseguiu Zelaya, “estão mandando observadores, movimento que, mesmo
com ambigüidade, vai na direção de legalizar o golpe”. O presidente
con-clamou “o povo hondu-renho a que neste dia 29 de novembro reflita e de
maneira consciente impugne e denuncie a fraude eleitoral”.
“Como presidente de Honduras, afirmo que, sob essas condições, não
respaldarei esse processo eleitoral e procederei a impugná-lo legalmente, em
nome dos homens e mulheres do meu País e de centenas de dirigentes e líderes
que sofrem repressão e concorrência desleal, sem liberdade nem dignidade”,
sublinhou.
REFORMAS
O presidente fez um chamado ao povo hondurenho para que não legitime o golpe
de Estado, “já que é uma nova guerra contra os processos de reformas sociais
e democráticas, tão necessários em Honduras”.
O embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy
Casaes, assinalou em entrevista ao sitio Terra Magazine que, com a postura
de recuar da condena ao golpe, “os Estados Unidos se isolaram na OEA”.
Comentou ainda o anuncio do golpista Micheletti que, no dia 20 passado,
disse que pretendia se ausentar da presidência durante os dias finais desse
processo, para que “os hondurenhos possam se concentrar nas eleições”. “Isso
é uma brincadeira de mau gosto. Ele não se afastou, ele se afastaria. Em
última análise, esse sujeito é um palhaço. É algo tão primário, tão
primitivo, que Micheletti só pode estar de gozação. Será mesmo que ele
acredita que os países vão se sensibilizar com o fato de no dia das eleições
ele não estar sentado na cadeira da presidência que ele usurpou? Será que
ele acha que é tudo um faz de conta? Nós não consideramos essa licença”,
frisou Casaes.
Fortalecida pela massiva renúncia a participar da farsa eleitoral de mais de
110 prefeitos e dezenas de deputados, e pela grande mobilização popular, a
Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado lançou o seu
comunicado Nº. 36, reforçando que “o processo de 29 de novembro carece de
toda legitimidade e legalidade por que se realiza no marco de um golpe de
Estado militar onde se negam direitos humanos básicos da população”.
OLIGARQUIA
“Fazemos público nosso reconhecimento aos movimentos políticos e aos
candidatos que têm sido conseqüentes com o compromisso de renunciar à farsa
eleitoral montada pela oligarquia no caso de não ser restituído em seu cargo
o Presidente Manuel Zelaya Rosales. Seu ato demonstra respeito pelo povo,
fidelidade a seus princípios e dignidade; todas virtudes necessárias para
enfrentar os inimigos da liberdade e da democracia”, prossegue a declaração
da Frente, lida pelo seu coordenador, Juan Barahora, na frente do Tribunal
Supremo Eleitoral, em Tegucigalpa, na terça-feira, dia 24.
Conclui o texto reiterando o “chamado a toda a população a desconhecer a
farsa eleitoral de 29 de novembro. Hoje o povo sabe que o único caminho para
a volta da ordem institucional é a restituição incondicional do presidente
Zelaya, e a instalação da Assembléia Nacional Constituinte”. |