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Frente Nacional Contra o Golpe denuncia
assassinato de líder da Resistência no sul de Honduras
O corpo do coordenador da Frente Nacional contra o golpe de Estado na região sul
do país, Luis Gradis Espinal, foi encontrado na terça-feira, 24, dias depois de
ser preso pela policia hondurenha.
O paradeiro de Espinal era desconhecido desde domingo.
O assassinato do líder da resistência do departamento (estado) de Valle ocorreu
a poucos dias das eleições e sob denuncias de aumento da repressão em todo o
território hondurenho.
Espinal, professor aposentado de 56 anos, ia para a capital quando o veículo
onde viajava foi interceptado na entrada da cidade por uma patrulha policial. O
professor foi preso e, no ato, golpeado com uma pistola na cabeça.
Através de um comunicado, a Frente Nacional alertou que a perseguição aos
militantes da Resistência recrudesceu. O governo declarou um Estado de
Emergência que, segundo a Frente “pode ser o preâmbulo de uma ofensiva militar
contra o povo desarmado”.
A notícia sobre a descoberta do cadáver de Espinal chegou aos membros da
Resistência quando realizavam um protesto na frente da sede do Tribunal Supremo
Eleitoral.
Ao saber do assassinato do líder da Frente, o ex-vice-ministro da Agricultura,
Nehemias Martinez, que acabara de renunciar a sua candidatura a deputado
estadual, declarou: “nossa consciência não vai permitir que esta farsa eleitoral
espúria se imponha sobre o sangue de hondurenhos livres”.
O presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos, (CODEH), An-drés
Pavón, declarou que há uma matança que está enlutando muitos lares hondurenhos,
vários corpos sem vida, são encontrados con um mesmo padrão de execução.
O CODEH enviou um chamado aos organismos internacionais de direitos humanos
alertando para o contínuo desaparecimento e assassinato de hondurenhos
vinculados à Resistência.
“Informações chegam, com cada vez mais intensidade, de bairros da capital,
aldeias e cidades, de que a repressão desencadeada pela policia e exército está
atacando populares quando marcham de maneira pacífica contra a ditadura ou
simplesmente por permanecerem nas ruas. Foram mais de uma dezenas de mortos em
uma semana”, afirma o jornal hondurenho El Libertador.
“Temos denuncias recentes de dois jovens que foram sacados de seus lares e a
seguir tiveram a língua cortada. Levaram as línguas às mães dizendo-lhes ‘aqui
lhes trago a língua deste cachorro’”, denuncia Pavón.
Vários professores já foram assassinados depois do golpe de 28 de junho, entre
eles Roger Vallejo, Félix Rolando Murillo, Mario Con-treras, Martín Barrientos e
Tito Urquía, segundo denuncia o El Libertador.
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