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Instituto
norte-americano especializado em apoio a golpes enviará ‘observadores’ à
fraude de Honduras
O Instituto Republicano Internacional (International Republican Institute,
IRI, sigla em inglês), e o Instituto Democrático Nacional (National
Democratic Institute, NDI), ligados ao Partido Republicano e Democrata,
respectivamente, mandarão observadores a Honduras para “observar” (e, claro,
referendar) a farsa eleitoral de 29 de Novembro, informou o senador
republicano Richard Lugar em comunicado. Ambas organizações recebem
dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
A notícia foi veiculada no portal do Centro de Investigação Econômica e
Política (CEPR), organização de pesquisa que conta com a participação dos
economistas Robert Solow, Joseph Stiglitz, Richard Freeman, e vários outros
professores de importantes universidades norte-americanas.
O IRI apoiou golpes de estado contra presidentes elegidos democraticamente
no Haiti e na Venezuela. Essa arapuca, junto com o NDI, planejam “ajudar” os
funcionários eleitorais indicados pela ditadura de Honduras a monitorar a
montagem da votação, apesar de que o processo será controlado por forças
golpistas do exército e da polícia, que são os mesmos contingentes que
cometeram inumeráveis abusos contra os direitos humanos, incluindo matanças,
violações, e milhares de prisões desde o golpe de Estado de 28 de junho (ver
matéria nesta página).
“Surpreende-me ver o NDI se unindo ao Instituto Republicano Internacional em
seus esforços para legitimar outro golpe de estado,” disse o Co-diretor do
CEPR, Mark Weisbrot.
Weisbrot ressaltou que o NDI não apoiou o golpe de estado contra o
Presidente Jean-Bertrand Aristide em 2004, como o fez o IRI. O NDI se
manteve em silêncio quando o IRI comemorou publicamente o golpe de estado
contra o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em comunicado de imprensa,
mas agora está dando respaldo aos que perpetraram a usurpação em Honduras.
Os envio de observadores a Honduras pelo NDI criou desavenças no partido
porque líderes democratas no Congresso, incluindo o Senador John Kerry e o
deputado Howard Ber-man, expressaram sua oposição ao golpe, além de outros
parlamentares que exigiram ao presidente Obama que não reconheça essa
fraude.
Richard Trumka, o presidente da central sindical AFL-CIO norte-americana,
afirmou que é impossível realizar eleições livres e justas devido a continua
repressão contra membros de sindicatos operários e trabalhadores em geral.
Em carta à Secretária de Estado Hillary Clinton, Trumka fez um chamado ao
governo dos Estados Unidos para desconhecer o resultado de eleições
nacionais em Honduras sem a prévia restituição do Presidente Zelaya.
Weisbrot lembrou que o IRI também organizou uma conferencia no Brasil em
2005 para ingerir indevidamente nas questões internas com o objetivo de
prejudicar o presidente Lula. |