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Israel quer destruir estádio palestino construído com apoio da Fifa, Alemanha e
França
O exército de ocupação israelense exigiu que os palestinos derrubem um estádio
de futebol recém construído nas proximidades de Ramallah, na Cisjordânia, a 15
quilômetros de Jerusalém, sob o pretexto de que parte fica em área palestina sob
controle “exclusivo” de Israel. O estádio, com capacidade para 8 mil pessoas,
tem patrocínio da Fifa e foi financiado com verbas da França e Alemanha.
Proposto em 1981, só teve sua construção iniciada em 2008, demonstrando o
repulsivo tratamento que a ocupação tem com os palestinos. Em 2008, houve o
lançamento da pedra fundamental, pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, e pelo
primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad. A inauguração está prevista para o
final do ano, com um jogo entre uma equipe palestina e uma visitante.
De acordo com o jornal israelense “Haaretz”, o exército de Israel deu no dia 20
de novembro prazo de sete dias para a derrubada do estádio.
A provocação começou no dia 11 de outubro, quando o exército israelense chegou à
obra em fase de acabamento com uma ordem de demolição, que não foi atendida. No
dia 1º, ordem igual foi apresentada à prefeitura de Al-Bireh, a pequena cidade
próxima de Ramallah onde o estádio foi erguido.
Segundo o exército invasor, o que dá a ele o “direito” de derrubar um estádio de
futebol é uma suposta cláusula dos Acordos de Oslo – que, aliás, não são
respeitados em quase nada pelo governo Netani-ahu. Cláusula que não era para ser
eterna, apenas para facilitar o processo de desocupação, possibilitando que
áreas em território reconhecidamente palestino provisoriamente ficariam ainda
sob “controle de Israel”. O próprio “Haaretz” analisa que nem por aí se sustenta
a provocação já que, diz o jornal, Israel mudou unilateralmente os limites das
áreas sob controle dos invasores. Aliás, nem que ficasse sob “controle de
Israel”, pois é território palestino reconhecido por todos os países do mundo,
sem exceção, sob ocupação desde a invasão de 1967.
A ordem de derrubada do estádio foi vista, também, como uma tentativa de
pressionar a Autoridade Nacional Palestina, que está exigindo que se cumpra a
suspensão da expansão das colônias de fanáticos israelenses na Cisjordânia e
Jerusalém Oriental.
Ou talvez o problema de Netaniahu seja mesmo com estádios: afinal, na África do
Sul, os campos de futebol cumpriram um grande papel para derrotar o apartheid. |