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Produção industrial da China aumentou 16,1%
em outubro
Diante da crise
dos EUA, o governo de Pequim decidiu que “a China deve sustentar a si mesma
através do desenvolvimento do mercado interno para compensar a queda das
exportações” e defendeu a moeda frente ao dólar sem lastro. Resultados de
outubro apontam para um crescimento anual de 8%
A produção
industrial da China cresceu em outubro 16,1% em comparação com o mesmo mês do
ano passado - e 2,2% em relação a setembro deste ano -, anunciou o governo de
Pequim. O resultado coloca o país prestes a alcançar, ou até mesmo ultrapassar,
sua meta de crescer em 8% o Produto Interno Bruto (PIB) - em meio à maior crise
da economia mundial desde o crash de 1929, e com as chamadas economias centrais
quase em coma. Refletindo o avanço no consumo, a China atingiu um incremento de
16,2% nas vendas no comércio em outubro (comparado com outubro de 2008).
Para alcançar
o crescimento no ano de 8%, o aumento do PIB chinês foi se acelerando à medida
que o plano de infraestrutura e estímulo ao consumo se desenvolvia; chegou a
8,9% no terceiro trimestre (7,7% no acumulado dos primeiros nove meses) e no
último trimestre de 2009 irá a 10%. Recentemente, o próprio Banco Mundial
revisou sua previsão de crescimento da economia da China para 2009, até então de
7,2%, para 8,4%.
DEMANDA
INTERNA
Como registrou
a agência Xinhua, relatando as decisões de Pequim frente à crise que então se
instalava a partir dos EUA, “a China deve sustentar a si mesma através do
desenvolvimento do mercado interno para compensar a demanda externa
[exportações] mais fraca”. O que se traduziu em mais de meio trilhão de dólares
em recursos públicos para obras de infraestrutura – trens-bala, estradas, metrô,
portos, energia, telecomunicações, hospitais, escolas, saneamento básico -,
geração de 9 milhões de empregos, extenso programa de moradias para as famílias
de baixa renda e ampliação da construção civil, reconstrução de áreas afetadas
por terremotos, aumento dos salários e aposentadorias, e outras medidas.
Também foram
convocados os bancos e as empresas estatais para garantirem crédito à produção e
às obras de infra-estrutura e os investimentos necessários. Outra medida-chave
foi a defesa da moeda chinesa, graças ao câmbio fixo, diante da ação predatória
dos falidos monopólios financeiros dos EUA, e sua enxurrada de dólares sem
lastro disponibilizados pelo Federal Reserve a taxa zero.
A concentração
de forças no mercado interno, e que sustentou a economia chinesa no olho do
furacão, também permitiu, ao setor ligado às exportações, um fôlego para se
recuperar. Em outubro, ocorreu a maior desaceleração na queda das exportações
chinesas. As vendas ao exterior continuam em queda desde o começo da crise, mas
a contração de outubro foi a menor registrada: uma redução de 13,8% ano a ano,
totalizando US$ 110,8 bilhões de dólares. No acumulado dos dez primeiros meses
de 2009, a retração das exportações foi de 20,5%; enquanto que as importações
caíram 19%.
Nesse
processo, e com a derrocada da indústria de Detroit, a China se tornou o maior
mercado de automóveis do mundo, com vendas aumentando até 34%, para 9,6 milhões
de veículos comercializados nos primeiros nove meses do ano. Do crescimento do
PIB chinês, nos três primeiros trimestres do ano, 88% se deveu ao plano de obras
e melhorias no mercado interno. No período, o investimento em fábricas,
construções e outros ativos fixos aumentou em um - terço. O país também já se
tornou o maior construtor de rodovias do mundo.
ANTONIO PIMENTA
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