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Espanha:
agricultores vão às ruas por preços mínimos e pela defesa do mercado nacional
Dezenas de milhares
de agricultores e pecuaristas se manifestaram no sábado, dia 21, no centro da
capital espanhola, Madrid, para exigir que o governo tome medidas que tirem o
setor agrícola da crise e limite a queda dos preços que recebem os produtores,
situação que os obriga a suspender atividades ou até fechar empresas.
Os agricultores
denunciam principalmente dos custos dos combustíveis e dos fertilizantes, pedem
preços mínimos, preferência em relação a produtos de outros países e mais linhas
de crédito. “É fundamental que o governo combata os abusos na composição dos
preços, senão os produtos do exterior entram no país, com essa política de
fronteiras abertas e mercados livres. Essa ‘liberdade’ só favorece as
multinacionais”, assinalou Pedro Barato, presidente da Associação Agrária de
Jovens Agricultores.
O protesto foi uma
manifestação na Espanha do descontentamento que se estende em vários países da
Europa pelas péssimas condições da produção de alimentos.
As entidades que
convocaram a marcha denunciaram que os gastos de produção aumentaram 34 por
cento e já representam pelo menos 86 por cento da renda agrária final. Isso
implicou numa perda de 124 mil empregos no setor, acrescentaram as organizações,
que denunciam as práticas da oligarquia na cadeia de distribuição alimentar e os
preços elevados aos consumidores.
Os organizadores
informaram que 100 mil agricultores participaram na marcha que se realizou num
ambiente festivo, com cinco tratores e vacas infláveis e uma banda de gaitas,
que percorreu as principais avenidas da cidade, do Paseo del Prado até o
Ministério de Meio Ambiente, Rural e Marinho.
A mobilização foi
precedida por dois dias de greve geral agrária, com 200 atos de protesto
realizados na sexta-feira, dia 20, em toda a Espanha, em que participaram
centenas de milhares de agricultores com caravanas de veículos e tratores.
Higinio Mougan
viajou 600 quilômetros desde sua fábrica leiteira na Galicia porque relatou que
não pode vender o leite a 27 centavos de euro o litro, quando lhe custa 34
produzi-lo. |