|
“Quem vai gerir a nova rede
nacional de banda larga deve ser mesmo a Telebrás”
Santanna: operadoras atrasam universalização
da banda larga
Plano Nacional de Banda Larga preparado pelo governo prevê a ligação de 4.245
municípios e o acesso de 162 milhões de pessoas ao serviço
O secretário de Logística e Tecnologia da
Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, informou que até o
final de outubro será apresentado ao presidente Lula o Plano Nacional de Banda
Larga, no qual serão utilizadas as redes de fibras óticas do sistema elétrico
(30 km), que incluem as redes da Petrobrás, Furnas, Chesf, Eletronorte e da
antiga Eletronet (16 mil km de extensão de fibras ópticas), que, pela Justiça
deve ser devolvida ao governo.
Os investimentos previstos são de R$ 1,1
bilhão para a implantação do plano, que atingirá 4.245 municípios e 162 milhões
de pessoas. “A discussão agora gira em torno da empresa que vai gerir a nova
rede, que deve ser mesmo a Telebrás”, afirmou Santanna.
"O governo já fez e já pagou boa parte (da
futura rede pública). É custo afundado, basta iluminar", acrescentou.
Ele lembrou dois aspectos para o
funcionamento da Telebrás. Em primeiro lugar, não entrou em processo de
licitação. Segundo: o governo detém 91% das ações.
Santanna participou na terça-feira (29) do
seminário “A Universalização do Acesso à Informação pelo Uso de
Telecomunicações”, promovido pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação
Tecnológica da Câmara dos Deputados.
Ele observou que a Telebrás já dispõe de R$
287 milhões, restantes da capitalização da empresa no ano passado, que podem ser
utilizados para a ligação dessas redes, sendo que o restante deverá vir do
Orçamento da União a partir de 2010.
ATRASO
O secretário descartou a participação das
operadoras de telefonia fixa no plano, uma vez que, em sua avaliação, estas não
estão interessadas na universalização da banda larga. "Eu ouço muito que é
preciso levar em consideração as operadoras, que sempre foram tão parceiras do
governo. Mas para citar apenas um exemplo, o acesso discado no programa PC
conectado não foi resolvido até hoje porque as empresas não chegaram a um acordo
de preço", destacou Satanna. "As operadoras não são parceiras. Se eles são
parceiras em algum momento, é para atrasar", disse. O programa mudou de nome,
para Computador para Todos, em função de que o governo não conseguiu fechar um
acordo com as concessionárias de telefonia para conectar os equipamentos.
Santanna sublinhou que o custo cobrado por
essas concessionárias pela banda chega a 100% do cobrado pelo Serviço Federal de
Processamento de Dados (Serpro), empresa estatal vinculada ao Ministério da
Fazenda.
De acordo com pesquisa feita em conjunto
pela Telebrasil e o portal Teleco, o acesso à internet banda larga atendia a
48,9% dos municípios brasileiros no final de 2008.
MONOPÓLIOS
Oi/BrT, Telefónica e Net detêm 86% do
mercado de banda larga. “A banda larga ainda é concentrada nas classes A e B. Os
monopólios regionais levaram à concentração e à elevação dos preços. Para as
classes C e D não há ofertas. Os monopólios regionais levaram a um processo de
encarecimento da banda larga”, afirmou. Santanna ressaltou que 90% das conexões
estão abaixo de 1 Mbps, o que não é considerado banda larga. “A UIT [União
Internacional de Telecomunicações] só considera banda larga conexões acima de 2
Mbps”, frisou.
Para o secretário, a rede de banda larga a
ser gerida pela Telebrás terá a função de estimular a concorrência, viabilizando
para os pequenos provedores uma alternativa às redes das grandes operadoras. "O
maior problema para que as pessoas tenham banda larga é o preço e a falta de
oferta. E isso as empresas não resolveram", declarou. "O Estado pode ser esse
backbone neutro capaz de permitir que todos concorram em pé de igualdade",
observou.
“Não há barreira regulatória para o
serviço, aliás, sequer existe programa de qualidade da banda larga. E veja,
também não é problema de investimento, porque no estado de São Paulo, que
equivale a Argentina e o Chile juntos e ainda sobra gente, não tem um serviço de
qualidade. E nem sequer é problema de dinheiro, porque a empresa que entrou em
colapso em São Paulo é uma empresa muito rica. O problema é de gerência e de
falta de concorrência no controle da infraestrutura”, frisou.
Com a implantação do Plano Nacional de
Banda Larga a estimativa é de uma economia de mais de R$ 200 milhões com os
serviços contratados pelo governo.
|