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Emendas propõem fim dos leilões no pré-sal
Não há justificativa para que sejam mantidos os
leilões na área do pré-sal já que a Petrobrás tem todas as condições
tecnológicas e financeiras, além de profundo e exclusivo conhecimento da
região, para extrair o óleo e o gás em condições extremamente favoráveis ao
país. Este é um dos argumentos apresentados pelos deputados Ivan Valente (Psol-SP),
Chico Alencar (Psol-RJ) e Geraldinho (Psol-RS) na emenda ao projeto de Lei
Nº 5.938 - que implanta os contratos de partilha - suprimindo a realização
dos leilões na área do pré-sal.
Segundo os parlamentares, a Petrobrás tem que
ser a única empresa contratada pela União para explorar o pré-sal. As
empresas estrangeiras “teriam pressa em extrair todo o petróleo, inclusive
para exportação, sem uma estratégia de planejamento do consumo de
combustíveis fósseis, que considere o interesse nacional”. A Petrobrás não
só poderá tomar parte ativa neste planejamento, como é a única empresa capaz
de viabilizar a instalação de uma vigorosa indústria nacional e de criar
milhares de empregos dentro do país. Se foi a Petrobrás, que apesar de todos
os obstáculos criados pela Lei 9.478 de 1997, venceu todos eles, e garantiu
a auto-suficiência de petróleo, tornando-se uma das maiores empresas do
mundo, certamente será ela novamente a única empresa a garantir os recursos
do pré-sal nas mãos dos brasileiros, como quer o presidente Lula.
Entidades como a Associação dos Engenheiros da
Petrobrás (Aepet) vêm argumentando na mesma direção, de que a Petrobrás é a
única empresa que tem condições de explorar o pré-sal em benefício do Brasil
e dos brasileiros. “Um dos argumentos do lobby das multinacionais é de que
se a Petrobrás for a operadora única não tem desenvolvimento tecnológico. É
uma falácia pelo seguinte: em primeiro lugar, a tecnologia de perfuração
pertence a empresas especializadas que alugam para a Shell, para Exxon, para
a Petrobrás, para todo mundo”, afirmou o presidente da entidade, Fernando
Siqueira, em debate nas segunda-feira, no Rio de Janeiro.
Na opinião do engenheiro, “a Petrobrás foi
pioneira no desenvolvimento conjunto com essas empresas porque foi a
primeira a ir para águas profundas, portanto, a Petrobrás conhece bem o
sistema, sabe como usá-lo, mas a tecnologia é dessas empresas. Elas que
alugam as plataformas, que hoje custam US$ 600 mil dólares por dia, porque
há poucas e muita demanda. Não há problema tecnológico nenhum. Quem
contratar essas empresas vai contratar o mesmo serviço com o mesmo avanço
tecnológico”. Ou seja, o que não é tecnologia da Petrobrás, é de domínio
dessas empresas prestadoras de serviço. As múltis, ao contrário do que se
diz, não vão trazer nada de novo para o país.
Além disso, vários especialistas também
argumentam que não haverá falta de recursos para a Petrobrás, como alegam os
lobistas. Ela já possui recursos para os próximos cinco anos. E se precisar
de mais, recorrerá ao mesmo lugar onde todas as empresas petroleiras,
inclusive as multinacionais, buscam recursos: no sistema financeiro. Segundo
Fernando Siqueira, quem tem reservas, como será o caso da Petrobrás, se ela
for exclusiva no pré-sal, consegue recursos em qualquer lugar do mundo.
Portanto, não falta experiência, não falta conhecimento, não faltam recursos
para a estatal. Não há, portanto, porque abrir o pré-sal para as
multinacionais. Elas não trarão benefício algum para o país. Ao contrário,
apenas a extração desarvorada, a importação maciça de equipamentos de suas
matrizes, além do envio de óleo cru para alimentar suas reservas no
exterior.
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