Serra, o golpe e o sub do sub
americano na OEA
Nunca o Brasil angariou tanto prestígio
internacional quanto agora, com os
acontecimentos de Honduras. Chega até a ser meio
chato lembrar, mas quando foi que nós vimos uma
manifestação de nossos irmãos argentinos
carregando um cartaz com os dizeres “Gracias,
Brasil”? A ONU, a OEA e todos os países do mundo
estão com o Brasil. Até o Obama e a Hillary. E
órgãos de imprensa insuspeitos de parcialidade a
nosso respeito, Clarín ou Le Monde, trataram o
assunto como um grande triunfo da diplomacia
brasileira.
Pois, apesar disso tudo, bastou um funcionário
norte-americano de quarto ou quinto escalão, um
obscuro Lewis Anselem, já demitido pelo governo
Obama, e com folha-corrida de agente da CIA na
América Central (ver página 7), dizer que Zelaya
foi “irresponsável” por voltar ao país do qual é
presidente e culpar o Brasil pela violência dos
golpistas, para que o Serra, o Ali Kamel, o Bob
Civita e alguns outros ficassem assanhados.
Imediatamente, Serra, até então de bico calado,
declarou que Zelaya e o Brasil estavam fazendo
uma “tremenda trapalhada”.
O Ali Kamel botou lá no “Globo”: “Da OEA a
Serra, todos criticam o Brasil” (o funcionário
americano virou “a OEA” - e o “todos” eram o
funcionário e o Serra).
Um velho de programa que faz ponto na “Folha de
S. Paulo”, conhecido por sua indômita coragem,
saiu berrando que Zelaya era um “covarde” e que
o Brasil devia chamar o capitão Nascimento (sic)
para expulsá-lo da embaixada – ou seja,
entregá-lo aos golpistas, provavelmente depois
de torturá-lo com o saco plástico (esse pessoal,
como veremos, tem fixação por sacos).
Uma senhora da vida, quer dizer, da “Veja”, foi
escalada pelo Bob Civita para dizer que o
ridículo Micheleti ia retirar o “status” de
embaixada da representação brasileira, como se
isso fosse possível.
Paramos aqui, porque temos mais o que fazer do
que ficar registrando um rol de basbaquices.
Essa malta vivia pregando que o governo Lula era
muito leniente com a Bolívia, no caso do gás, e
com o Paraguai, no caso de Itaipu. Que tínhamos
de ser “duros” com os paraguaios e bolivianos.
Por pouco não disseram que a gente devia invadir
a Bolívia e o Paraguai para depor o Evo e o Lugo.
Eram valentes paca, quando se tratava da Bolívia
e do Paraguai...
Pois bastou um sub-do-sub-do-sub americano falar
uma besteira, para que virassem um batalhão de
papagaios, combatendo para ver quem puxava mais
o saco do animal.
O Serra realmente deve achar que a volta de
Zelaya foi uma “tremenda trapalhada”. Em 1964,
presidente da UNE, logo depois do golpe de
Estado, fugiu do Brasil numa correria sem
dignidade (aquela correria em que o calcanhar
bate nas nádegas), abandonando o mandato,
deixando a UNE acéfala – os estudantes, o povo e
o Brasil que se danassem. Refugiou-se na
embaixada... da Bolívia. Enquanto outros
dirigentes da UNE enfrentavam a ditadura, Serra
nem esperou que houvesse algum processo contra
ele.
Zelaya, ao invés de se refugiar numa embaixada
para fugir do país, está na embaixada brasileira
para voltar ao país e empreender a luta contra
os golpistas. Serra deve achar que esse negócio
de resistir e lutar é uma “tremenda trapalhada”.
Ele, que só voltou ao Brasil quando os que
ficaram aqui já haviam reduzido a ditadura a um
defunto, não faz “trapalhadas”. Tudo o que não é
covardia, é “trapalhada”.
O Serra, o Ali Kamel, o velho de programa da
“Folha” e a madame da “Veja” não podem avistar o
saco de um americano. Ficam logo afogueados para
puxar o dito cujo. É da natureza deles. Mas,
pelo menos, deviam puxar o saco de um americano
com poder, por exemplo, o Obama, já que a
Hillary não tem anatomia própria para essas
coisas. No entanto, eles não conseguem deixar de
puxar o saco nem de um insignificante meganha da
CIA prestes a ser aposentado. Também, o cara é
americano...
CARLOS LOPES