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Honduras: desafio da democracia na América Latina
JOSÉ GENOINO
(*)
As medidas que o governo Lula tem tomado em
relação à situação em Honduras merecem mais do que o nosso apoio. Elas são, na
verdade, frutos de uma política externa vitoriosa que elevou o Brasil ao patamar
de líder continental e que fez dele um árbitro internacional poderoso e
influente. Mais do que apoiar, devemos nos orgulhar desta tarefa e deste papel
inéditos. O fato do presidente deposto, Manuel Zelaya, ter escolhido a Embaixada
Brasileira para se abrigar nada mais é do que o reconhecimento do papel de
liderança do Brasil no continente e é uma demonstração inequívoca da importância
do nosso país no mundo.
Este respeito foi uma conquista baseada na
defesa intransigente das regras democráticas. Justamente por isso, o Brasil está
credenciado para exigir o repúdio internacional ao golpe e o restabelecimento da
ordem constitucional em Honduras. Zelaya foi recebido pelos diplomatas
brasileiros em Tegucigalpa como presidente legítimo do país e é com esta
condição que o Brasil está procurando os principais líderes mundiais na busca de
uma solução pacífica para a crise hondurenha. A deposição de Zelaya representou
a volta de antigas manifestações relacionadas a uma cultura golpista e a um
autoritarismo que já julgávamos estarem sepultadas pela história. E é evidente
que a continuidade desta situação desestabiliza todo continente.
O Brasil sempre defendeu as regras democráticas
para resolver os impasses políticos. Por isso, é correto nosso empenho em forçar
uma negociação. Mesmo porque o mundo está bem menos tolerante a estas aventuras.
É nítido o constrangimento norte-americano. E mesmo a União Européia não hesitou
em externar sua contrariedade com o golpe, com destaque para a Espanha, que
expulsou o embaixador hondurenho de Madri e a Alemanha que fechou sua embaixada
em Honduras. O Brasil está fixando no continente latino-americano uma posição
contundente de compromisso com o fortalecimento da democracia.
Da mesma forma, é acertada a atitude do governo
brasileiro de colocar para a comunidade internacional e em especial, para a ONU,
que todos têm a responsabilidade pela busca de uma solução democrática para o
conflito, pela segurança de Manuel Zelaya e pela integridade da embaixada
brasileira. Como disse Carol Proner, num artigo publicado no portal Carta Maior,
o “Brasil vive um momento de respeitabilidade internacional sem precedentes e
que tem contribuído para sedimentar novos consensos junto a organismos
internacionais, mas diante da imprevisibilidade com que atuam os golpistas, a
gestão da crise dependerá fundamentalmente da perícia diplomática brasileira e
do cuidado técnico em não contribuir para o aprofundamento da violência militar.
Não há razões para suspeitar que o Itamaraty seja incapaz de enfrentar o
ineditismo desse desafio, apesar da resposta covarde dos golpistas e dos
saudosistas de regimes militares. Estes não apenas em Honduras”.
(*) Deputado
federal e ex-presidente nacional do PT
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