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Multi não faz investimento e pede para aumentar pedágios nas BRs
OHL ainda recebeu R$ 756 milhões do BNDES
As
empresas vencedoras do leilão de concessões de sete trechos de rodovias
federais, realizado em outubro de 2007, enviaram à Agência Nacional de
Transporte Terrestre, na última semana (ANTT), pedidos de reequilíbrio
econômico-financeiro. A intenção é, ou reajustar o preço das tarifas de pedágio
ou prorrogar os cronogramas de investimentos previstos nos contratos assinados
no leilão.
As empresas alegam, segundo o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, que a
construção das praças de pedágio foi prejudicada pela demora na obtenção de
licenças ambientais e desapropriação de terrenos, que teria atrasado a
implantação de praças de pedágio.
Para o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), a
empresa é que tem que assumir o risco do negócio, não o motorista. “A
concessionária alega que algumas praças de pedágio demoraram para ser
implantadas, mas são riscos do negócio que a empresa assumiu e problemas que
deveriam ter sido previstos - quando a OHL quis entrar no processo”, sustentou o
presidente da Setcepar, Fernando Klein Nunes. “É inadmissível esse aumento para
um pedágio tão recente. Eles não são amadores para alegar desconhecimento, pois
já administram outros trechos pelo Brasil”, disse.
Menor tarifa
O leilão das estradas federais que, na época, mudou a forma de concessão de
rodovias anteriormente praticada no Brasil, chegou a servir de base jurídica
para questionar os altos preços dos pedágios nas estradas privatizadas pelo
PSDB. Ao invés de receber pela cessão, o governo federal decidiu pela empresa
que se comprometeu a cobrar a menor tarifa. A intenção era trazer investimento
privado para a área de infra-estrutura.
E, a maior vencedora do leilão de 2007 foi exatamente a espanhola Obrascon
Huarte Lain (OHL), que levou cinco dos sete lotes de estradas oferecidas pelo
governo federal.
Ficou com os lotes 2 e 4, na BR-101 (que ligam o Paraná a Santa Catarina, e o
Rio de Janeiro ao Espírito Santo, respectivamente), o 5, na BR-381 (mais
conhecida como rodovia Fernão Dias, que liga Minas Gerais a São Paulo), e os
lotes 6 e 7, na BR-116 (rodovia Regis Bittencourt).
Mas, o investimento não veio. Menos de dois anos depois, a multinacional entrou
com um pedido de financiamento no BNDES.
Suas subsidiárias embolsaram R$ 756.382.000,00. Só a Autopista Fernão Dias S.A.
levou R$ 204 milhões este ano, como denunciou o HP, na Edição 2.792.
A justificativa para o pedido, e para a concessão do empréstimo, foi que o
tráfego ficou abaixo do estimado pela licitação. Precisava, segundo a empresa,
do dinheiro para cumprir obrigações contratuais de investimento.
Naquele momento, 24 das 29 praças de pedágio previstas para a OHL já estavam
funcionando. Desde então, mais duas foram inauguradas.
Vale observar que pelos 562 quilômetros da Fernão Dias circula, diariamente, 18%
do PIB brasileiro. São, ao todo, oito praças de pedágio cobrando tarifas que
variam de R$ 0,55 para motos a R$ 6,60 para caminhões com seis eixos. O preço
para automóveis – que tinha ganho o leilão com R$ 0,997 - está em R$ 1,10 em
função de correção contratual.
Os outros dois lotes foram vencidos pela BR Vias e por outra multinacional
espanhola, a Acciona. A ANTT ainda não se pronunciou, mas tem até o início do
ano para analisar o pedido. |