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Serra arma “cercadinho” para pobre no metrô de São Paulo
PAULO HENRIQUE AMORIM*
O engenheiro civil Zé Pedágio é mesmo um “economista competente”.
O transporte público é uma tragédia em São Paulo.
Uma tragédia que se corporifica todos os dias, na hora de ir e voltar do
trabalho.
Milhões de trabalhadores pagam todos os dias o preço da incompetência de 15 anos
de coronelismo tucano em São Paulo.
A elite branca (e separatista, no caso da elite paulista) trata do problema como
se fosse uma questão individual.
Você, amigo navegante, jamais verá um membro de elite branca falar do
engarrafamento e do transporte público como uma questão pública, coletiva.
É sempre um problema individual, um infortúnio: “eu me atrasei, porque o
trânsito está horrível”; “teve uma batida e eu não pude chegar mais cedo,
desculpe”; “puxa, com essa chuva, o trânsito está infernal”.
São efeitos sem causa, que não exigem a ação do Estado.
O metrô de São Paulo é insuficiente com os vagões, as estações, as paradas que
tem e os intervalos entre elas.
O que está aí não basta.
Sem falar no que não está – e não andou mais rápido, por causa, por exemplo, da
cratera da Linha 4.
Agora, os gênios do engenheiro civil [como PHA chama José Serra, depois que se
descobriu que ele se diz engenheiro mas na verdade não se formou] resolveram
resolver o problema do metrô.
Não é construir mais estações.
Botar mais trens para rodar.
Nem aumentar a frequência das paradas.
Não, ele é um gênio.
As soluções têm que ser geniais.
Ele resolveu criar um “cercadinho” para os pobres.
É assim.
O pobre chega à estação.
Pensa que, por se tratar de uma estação do metrô, ele vai se aproximar da
plataforma, esperar o trem chegar, pegar o trem e ir trabalhar.
Não, com os tucanos, não é assim que funciona.
O pobre chega de manhã e entra num “cercadinho”.
E fica lá.
No “cercadinho”.
Em lugar de ficar um colado no outro, a se empurrar na beira da plataforma,
agora fica todo mundo colado, a se empurrar, mas no “cercadinho”.
Sensacional.
Isso é coisa de gênio.
Qual o objetivo do “engenheiro civil”?
Não é reduzir o número obsceno de horas que o trabalhador de São Paulo leva para
ir e voltar do trabalho.
Não, isso não é problema dele.
Esse pessoal vota na Marta, mesmo.
Azar o dele.
O problema do Zé Pedágio é a fotogenia.
Na hora em que a Globo filmar, de cima, a estação do metrô, cheia de gente, vai
dar ao espectador a impressão de que está tudo arrumadinho, ordeiramente, cada
qual no seu “cercadinho”.
Ele é um gênio.
Mal sabe ele que o problema do transporte público em São Paulo pode degenerar
num “caracazo”.
E o vândalo será ele, o engenheiro civil …
* é jornalista e editor do portal Conversa Afiada |