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Sarney condena
criminalização do MST
Ao receber um manifesto assinado por
representantes de organizações que defendem o direito à terra, na última
terça-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), voltou a manifestar
apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e disse que o país
precisa fazer uma reflexão sobre os problemas do campo e atualizar sua
legislação sobre o assunto.
Em discurso na semana passada, Sarney defendeu o
MST e condenou os setores que cometem o erro ao “olhar o problema dos sem-terra
pelo lado penal”. “É um erro que estamos cometendo procurar criminalizar os
sem-terra e, ao mesmo tempo, demonizá-los”, ressaltou o presidente do Senado,
pregando a superação dos conflitos.
“A violência no campo tem sido atribuída, por
toda parte, ao Movimento dos Sem-Terra. Mas eu quero fazer uma reflexão. Temos
atrasado o processo de reforma agrária. Não modernizamos nossos métodos, não
atualizamos nossas leis, não fomos, em suma, capazes de superar a imensa
injustiça existente no campo”, advertiu, lembrando que os trabalhadores
sem-terra “são vítimas permanentes da frustração de sua esperança de poder ter
um pequeno pedaço de terra para produzir”.
José Sarney elogiou “a vontade especial e o
compromisso” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a solução do problema,
mas lamentou que “mesmo a sua determinação e os seus esforços têm sido
insuficientes”.
“E são insuficientes por ser este um dos
problemas em que a consciência da sociedade é o ingrediente a ser, antes dos
demais, abalada e reformulada”, sublinhou, condenando o que chamou de teimosia
“em culpar a febre, em vez de combater a infecção generalizada” no enfrentamento
dos problemas agrários. “A consciência da injustiça fundiária no Brasil é
inversamente proporcional à tendência de culpar as vítimas e, em especial, o MST,
pela exposição do problema, ou, pior, de considerar o Movimento dos Sem-Terra
como se fosse o verdadeiro problema. Ora, o MST possui várias faces. É notável
seu trabalho de organização, devemos reconhecer”, afirmou.
“A face dos casos de violência oculta a
realidade que seu trabalho é, na maioria dos casos, pacífico”, enfatizou Sarney.
Entre as atividades desenvolvidas pelo MST, ele
observou que a instituição contribuiu com o assentamento de trezentas e setenta
mil famílias e que, sob a orientação do movimento, mais de quatrocentas
associações e cooperativas trabalham para produzir sem transgênicos e
agrotóxicos. Citou ainda a viabilização de cerca de duas mil escolas com 10 mil
professores, alcançando 300 mil estudantes e as parcerias com pelo menos
cinquenta instituições de ensino, de universidades a escolas agrotécnicas. |