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Chineses festejam 60º aniversário de
fundação da República Popular
Com uma grande parada militar e representações das 56 etnias do país, a
China abriu nesta quinta-feira dia 1º de outubro as comemorações dos 60 anos
da fundação da República Popular por Mao Tse Tung, em 1949. Na mesma praça
em que Mao anunciou ao mundo que “o povo chinês se pôs de pé”, o presidente
Hu Jintao, trajando a característica túnica azul, saudou a vitória da
revolução e sua obra, o renascimento da milenar China. Todo o povo chinês
“não poderia estar mais orgulhoso do desenvolvimento e do progresso da nossa
pátria”, afirmou Hu. Na parada, veículos transportadores de mísseis de longo
alcance, tanques, artilharia pesada e 150 aviões e helicópteros. No desfile
civil, carros alegóricos lembrando os Jogos Olímpicos que Pequim sediou e a
nave espacial chinesa. Ele ressaltou a disposição da China de dar sua
contribuição para um “mundo pacífico e harmônico”, por meio de sua política
externa de “paz e cooperação amistosa”.
A História revela que o desenvolvimento da China “jamais foi sem
dificuldades”, salientou Hu, acrescentando que, porém, “um povo que tomou
seu destino nas próprias mãos e está unido, sobrepujará todos os entraves e
obstáculos” e atingirá “grandes conquistas”. Com o ex-presidente Jiang Zemin
e o primeiro-ministro Wen Jiabao a seu lado, Hu enalteceu o “socialismo com
características chinesas” e convocou o país a completar a tarefa da
reunificação, já resolvida em relação a Hong Kong e Macau, mas ainda
pendente em Taiwan. A comemoração ocorre em um momento em que a China, que
nas últimas décadas era o país que mais crescia no mundo, também é o que
melhor vem se saindo diante da maior crise econômica mundial desde a Grande
Depressão de 1930.
CRESCIMENTO
Em agosto, a produção industrial cresceu 12,3% em relação a igual período do
ano passado, numa demonstração de que o caminho de investir maciçamente em
infraestrutura e no mercado interno está dando resultado. No plano, a China
está investindo US$ 580 bilhões. Atualmente, a China é a terceira maior
economia do planeta, considerando o PIB nominal. Sob o poder de compra
interno (PPP), já é o segundo. Desde a vitória da revolução, o ritmo médio
de crescimento do PIB foi de 8,1% ao ano. A renda per capita, que já foi
multiplicada por mais de 30, ultrapassou os US$ 3.000 e segue crescendo à
razão de 6,5% ao ano.
A ideia básica que move o plano chinês é que, com a recessão global em
curso, o país “deve se sustentar a si mesmo através do desenvolvimento do
mercado interno para compensar a perda da demanda externa mais fraca”, de
acordo com a agência de notícias Xinhua. No centro do plano, que deverá ser
completado até 2010, a ampliação da integração da China, através de novas
ferrovias, estradas, metrô, portos, energia e redes de telecomunicação.
Metade do valor do plano destina-se a essas grandes obras. Em dois anos, o
país terá uma malha ferroviária de 90.000 km de extensão; até 2012 estará
operando o trem-bala entre duas capitais provinciais, Shijiazhuang e Wuhan.
A obra de 841 km completará a ligação ferroviária de Pequim a Hong Kong.
Conforme a decisão do Conselho de ministros, a crise abre “uma nova
oportunidade” para a China. Com investimento da ordem de 7% do PIB anual, o
plano visa “expandir a demanda doméstica, acelerar a construção de
instalações públicas e melhorar os padrões de vida dos pobres”. Também irá
reconstruir as áreas devastadas pelo terremoto de 12 de maio, construir
escolas, hospitais, centros de saneamento básico e tratamento de água. Outro
objetivo é aumentar o salário real tanto nas cidades como no campo, o valor
das aposentadorias, e o preço mínimo de aquisição da produção agrícola.
Haverá, ainda, recursos para desenvolver os setores de alta tecnologia.
A.P.
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