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Micheletti reprime atos
públicos e agride
jornalistas e camponeses
Atentado às
liberdades civis não conteve apoio a presidente legítimo e, ao contrário,
mobilizou mais setores da sociedade pela recondução de Zelaya
Somente
nos últimos dias, 2.200 pessoas foram presas em Honduras, segundo informação
da própria polícia. Porém, mesmo após entupir as ruas de policiais, os
golpistas não lograram deter as manifestações de apoio ao presidente Zelaya.
A prisão de 57 camponeses que permaneciam no prédio do Instituto Nacional de
Reforma Agrária, no dia 30, esteve entre as ações repressivas desencadeadas
depois do estado de sítio decretado pelo golpista Roberto Micheletti. “Essas
pessoas, entre as quais se encontravam mulheres, crianças e idosos, foram
maltratadas, desrespeitadas”, assinalou Rafael Alegria, líder camponês do
Comitê Nacional de Resistência ao Golpe.
CONSTITUIÇÃO
Ao baixar o decreto, Micheletti, além de agredir os direitos civis básicos,
rasgou mais uma vez a Constituição, que prevê que o estado de sítio tem de
ser votado pelo Congresso, levando os deputados a pedirem a revogação
imediata da medida.
No bairro de Hoya, no centro de Tegucigalpa, dois homens encapuzados,
sequestraram numa caminhonete, o editor do jornal El Libertador, Delmer
Membreño. “Com uma arma apontada para minha cabeça queimaram meu rosto e
braços com cigarros e me espancaram, depois me abandonaram numa estrada, com
a recomendação de avisar a meus colegas que não devemos ser contra
Micheletti”, denunciou Delmer, na terça.
Durante a apreensão dos equipamentos da Rádio Globo, ocupada e destruída na
segunda-feira, dia 28, no mesmo dia da agressão ao canal de televisão 36, o
jornalista guatemalteco do canal mexicano Televisa, Ronny Sánchez, foi
golpeado pelos policiais presentes. Também bateram com brutalidade em
Alberto Cardona, do canal Guatevisión.
Centenas de pessoas ocuparam o Bulevar Morazán frente à sede da emissora de
rádio fechada e se mantiveram enfrentando a repressão e cantando palavras de
ordem em respaldo ao presidente, Manuel Zelaya, e exigindo a imediata
libertação dos camponeses e dos outros cidadãos presos.
RESISTÊNCIA
No dia 27 foi lançado gás tóxico contra a embaixada brasileira, conforme
denunciou o presidente Manuel Zelaya: “Pedimos a intervenção da Cruz
Vermelha Internacional Aqui há sessenta pessoas tentanto respirar no
quintal, usando máscaras antigas, para tentar se proteger, mas vomitando e
urinando sangue”.
A jovem universitária Wendy Ávila que participava dos atos de resistência
faleceu após respirar o gás tóxico que se espalhou pela vizinhança da
embaixada. Estudantes da Universidade Nacional Pedagógica se dirigiram em
passeata para participar do seu enterro no dia 28.
O estado de sítio também atropelou militares, Igreja e empresários que
buscavam caminhos para um diálogo que permita o retorno de Zelaya a seu
posto. Estes e outros setores da sociedade Hondurenha, a exemplo do Tribunal
Superior Eleitoral, pediram a sua revogação (ver matérias nesta página).
Sob pressão dentro e fora do país, isolado pela truculência da repressão que
tem chefiado, Micheletti suspendeu o toque de recolher que persistia desde o
dia do golpe no dia 30, mas manteve o estado de sítio apesar de haver
prometido suspendê-lo.
SUSANA SANTOS |