Estrela: Petrobrás no pré-sal é a grande oportunidade da indústria nacional
O diretor de Produção da Petrobrás, Guilherme
Estrela, defendeu a estatal como operadora única do pré-sal como está no
projeto do governo, lembrando que a quantidade de máquinas e equipamentos
que serão encomendados para a indústria petrolífera na exploração das novas
jazidas será enorme, inédita na história do país. “É uma grande oportunidade
para a indústria nacional crescer”, afirmou, durante painel realizado pela
Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado, na segunda-feira (5).
Ele destacou que a produção seguirá o ritmo da
indústria nacional e que, entre as encomendas previstas, estão 500 árvores
de natal molhadas (equipamento para produção no mar), 8 mil equipamentos
submarinos para bombeio e 700 cabeças de poço.
O diretor da estatal citou estudo da Agência
Internacional de Energia (AIE), mostrando que a situação do consumo e
produção mundial aponta para uma perspectiva de crescente escassez de
petróleo. “Será preciso, até 2030, descobrir campos que possam produzir de
60 a 70 milhões de barris/dia para atender a demanda global”, observou.
“Os mais pessimistas indicam que teremos um
consumo de 85 milhões a 90 milhões de barris, por dia, em 2030. Uma
perspectiva média aposta em um consumo de 100 milhões de barris por dia. Mas
há uma previsão de termos um consumo mundial de 110 milhões de barris a
serem consumidos, por dia, em 2030. O dramático disso tudo é que,
considerando os campos já descobertos hoje, eles dariam conta apenas de 30
milhões a 40 milhões de barris por dia”, explicou.
A audiência teve a participação de Ivan Simões
Filho, membro do comitê de exploração do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP),
órgão que representa os monopólios estrangeiros do setor petrolífero; de
Marina Rosado de Sá, professora-adjunta da UERJ e ex-superintendente de
promoção de licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP); Edmar de
Almeida, do Instituto de Economia da UFRJ; e Júlio Bueno, secretário de
Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro.
O diretor da Petrobrás rebateu críticas de
Simões Filho ao regime de operação única pela estatal, reforçando que a
escala de investimentos e equipamentos exigidos na exploração do pré-sal
justificam a importância da Petrobrás como operadora única, como está
colocado em projeto de lei encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional.
Guilherme Estrela defendeu ainda o regime de
partilha, como forma de assegurar um maior controle da exploração,
assinalando que esse padrão é adotado em vários países, principalmente em
campos onde o risco de exploração é baixo. “Estamos falando de poços com
grandes volumes recuperáveis de óleo e gás por apresentarem rochas porosas e
que já apresentaram elevada produtividade dos postos testados”, enfatizou.