Para Jungmann, golpistas de Honduras é que “são
populares”
O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE),
integrante de uma comissão de seis parlamentares
brasileiros que esteve em Tegucigalpa, voltou de
lá cobrindo os golpistas de elogios. Ele disse
em entrevista à Agência Lusa que o presidente
Manuel Zelaya “conta com esmagador apoio
internacional”, mas ao mesmo tempo, “para nós,
depois de lá passarmos, não resta nenhuma dúvida
de que o Micheletti conta com a maioria da
opinião pública, tem o apoio majoritário dos
hondurenhos e com a totalidade absoluta das
instituições”.
Na capital hondurenha, os deputados estiveram na
embaixada brasileira e mantiveram contato com o
Supremo Tribunal de Justiça, com a Comissão
Nacional de Direitos Humanos. Fora da agenda
programada, Jungmann, Cláudio Cajado (DEM-BA),
Bruno Araújo (PSDB-PE) e Maurício Rands (PT-PE)
foram recebidos pelo golpista Micheletti, em um
alegre encontro com direito a risinhos, vinhos e
comidinhas, testemunhado pela jornalista Heloísa
Villela - correspondente em Washington da TV
Record e enviada especial a Honduras -, que
relatou ao blog Viomundo, de Luiz Carlos Azenha.
Os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Janete
Pietá (PT-SP) se recusaram a participar do
evento.
Referindo-se a Micheletti como “presidente” ou
“presidente de fato”, Jungmann criticou o
governo brasileiro por conceder abrigo ao
presidente hondurenho. Para ele, o Brasil
deveria apoiar o golpe. “A instigação da
desobediência civil que Zelaya promovia dentro
da Embaixada do Brasil representava,
indiretamente, a intervenção brasileira nos
assuntos internos de Honduras”.
Jungamann recebeu 7 mil reais de diretores do
banco Opportunity, de Daniel Dantas, para a sua
campanha em 2006. Na sua atuação no Congresso,
ele é um dos parlamentares que integram a
bancada em defesa dos interesses de Dantas.