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Ex-presidente do Detran-RS sustenta na CPI que Yeda e Carlos Crusius ficavam com
11% do dinheiro desviado
Ex-presidente do Detran-RS que afirmou em vídeo que a governadora do Estado
desviava recursos do órgão, Sérgio Luiz Buchmann confirmou, nesta segunda-feira
(5), em depoimento à CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa, que o marido da
governadora Yeda Crusius (PSDB), Carlos Crusius, mudou o esquema no Detran para
o casal ficar com uma parte do desvio.
De acordo com Buchmann, dos 24% dos recursos “obtidos” junto à fundação que
realizava as provas de motorista no Estado, 12% ficavam com Lair Ferst (um dos
acusados) e outros 11% para o casal Crusius.
Poupança
Yeda Crusius também foi acusada por seu vice, Paulo Feijó (DEM), em depoimento
ao Ministério Público no mês de agosto, de fazer uma “poupança” com o dinheiro
da sua campanha de 2006. Feijó afirmou, no vídeo, que um doador entregou
dinheiro para o ex-marido de Yeda, Carlos Crusius, e que esse dinheiro foi
desviado durante a campanha para fazer caixa dois. Yeda teria dito que a
“campanha é o momento da poupança”.
O deputado federal do PSDB, Cláudio Diaz, jogou a questão no ventilador e disse
que “se houve caixa dois, foi na campanha dele (Feijó), vice-governador, e do
DEM”. O vice Paulo Feijó também já foi alvo de uma ação do Ministério Público
Estadual por improbidade administrativa, porque sua empresa, a AFP, foi
contratada para prestar serviços de consultoria para formatação de um plano de
venda de ativos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em 2007, quando já
ocupava o cargo.
Uma pesquisa feita recentemente pelo Ibope (que, conhecendo como age esse
instituto, deve estar bem subestimada), divulgada na segunda feira, revelou que
74% dos gaúchos desaprovam o desempenho da tucana como governadora do Estado,
contra apenas 19% que aprovam. Ainda segundo a pesquisa, somente 2% dos
entrevistados avaliaram o governo da tucana como ótimo, 9% como bom, 24% como
regular, 21% como ruim e a grande maioria, 43%, avaliou a gestão de Yeda como
péssima.
Quando perguntada sobre o afastamento de Yeda, 62% disseram ser a favor do
impeachment, contra apenas 22% que querem que a tucana, acusada de desviar R$ 44
milhões do Detran do RS, permaneça no governo.
O Comitê Fora Yeda organizou uma manifestação, no domingo, no Parque Marinha do
Brasil, em Porto Alegre, pedindo o impeachment da tucana. O evento teve dez
atrações artísticas e contou com a presença de lideranças sindicais e
estudantis. A palavra de ordem mais ouvida foi: “um, dois, três, Yeda no
Xadrez”. |