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Construção civil de SP antecipa campanha: 4% no
salário e piso
Trabalhadores realizaram manifestação reunindo
milhares no centro
Cerca de dez mil operários da construção civil
marcharam pelas ruas da capital paulista nesta
segunda-feira para reivindicar 4% de aumento
salarial a título de antecipação da Convenção
Coletiva - já que a data base da categoria é
maio de 2010 - e outras 15 cláusulas sociais.
Conforme o Sindicato da categoria, as empresas
de construção estão liderando os ganhos na Bolsa
de Valores de São Paulo: “A alta acumulada pelo
setor, de janeiro a agosto desse ano, foi de
quase 185%. Isso significa que a propalada crise
em nada afetou o bolso dos empresários. A
conjuntura, hoje, é bem diferente da de quando
nosso Sindicato assinou a Convenção Coletiva de
Trabalho, em maio último de 2009. O trabalhador
merece sua fatia desse bolo milionário”.
Entre as principais reivindicações encontram-se
a Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
antecipação do reajuste de 4% também nos pisos e
no vale-refeição, a partir de 1° de novembro;
condições básicas de segurança do trabalho e
instalação de lavanderias nos canteiros de obra,
para evitar possíveis contaminações dos
familiares dos trabalhadores por produtos
químicos utilizados nas obras.
Após a concentração na sede do Sindicato, a
multidão saiu em passeata pelo centro até a sede
do Sindicato patronal (Sinduscon-SP), no bairro
de Santa Cecília, onde foi entregue a pauta de
reivindicações. “A construção civil vem sendo
uma das principais responsáveis por tirar o
Brasil da crise financeira internacional. Não é
à toa que o governo apostou suas fichas em dois
programas relacionados ao setor, o de aceleração
do crescimento e o ‘Minha Casa, Minha Vida’. O
governo também desonerou diversos produtos do
segmento e abriu linhas de crédito específicas.
Esse conjunto de medidas demonstra, em primeira
análise, a força do nosso trabalhador no cenário
político e econômico do país”, declarou o
presidente do Sindicato dos Trabalhadores,
Antonio de Sousa Ramalho.
De acordo com Ramalho, além do aumento salarial,
a categoria também reivindica que
o pagamento das horas extras constem nos
holerites, pois “o pagamento não registrado
prejudica o trabalhador quando o que ele recebe
não é integrado aos benefícios como o 13º, FGTS,
e aposentadoria”. Segundo ele, os operários do setor estão cada
vez mais conscientes de sua importância na
cadeia produtiva de um setor que responde por
16% do PIB. “Quadro favorável que tende a
evoluir, pois será alimentado ainda mais com as
obras de infraestrutura da Copa do Mundo de
Futebol em 2014 e pela realização dos Jogos
Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro”. “Trabalho
não vai faltar. O que precisa é melhor
remunerá-lo. Acho fundamental ampliar a
qualidade de vida do trabalhador, dar-lhe
dignidade e aumentar as condições de segurança”,
acrescentou.
Presente à manifestação, o presidente da Força
Sindical e deputado federal Paulo Pereira da
Silva (Paulinho) sublinhou a importância do
operário da construção: “É ele quem põe a mão na
massa. É o operário, humilde, quem tira a idéia
do papel e a concretiza. Paulinho frisou que
“esses companheiros merecem influenciar também
socialmente, sendo respeitados e ouvidos”.
Para o secretário-geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves (Juruna), o exemplo de
mobilização da categoria representa forte
estímulo para o conjunto dos trabalhadores, de
todas as centrais sindicais, que realizarão uma
grande marcha a Brasília no dia 11 de novembro
pela redução da jornada de trabalho para 40
horas semanais. “Essa medida vai gerar mais de 2
milhões de empregos. Com passeatas como essas,
pretendemos sensibilizar deputados e senadores
quanto à medida. E, se depender do exemplo dos
companheiros da Construção Civil, certamente nós
conseguiremos tal avanço”, enfatizou.
De acordo com o presidente da Federação estadual
da categoria (Feticom-SP), Emílio Alves Ferreira
Junior, “a luta é para que o setor seja mais
humano e pare de promover a exclusão social de
seus trabalhadores. Exigimos dos empresários uma
melhor divisão nos lucros. Chega de tanta
avareza, de tanta discriminação. Vamos pensar na
vida e no bem-estar do próximo. A categoria
merece passar um Natal melhor, com mais dinheiro
no bolso, junto a seus familiares. O patrão não
vai morrer de fome dividindo um pouco mais do
muito que já tem”. |