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A Batalha
da Mídia e o monopólio ilegal Telefónica/TVA (parte 2)
ROSANE
BERTOTTI
Conforme a UNESCO, somos 37 milhões de
analfabetos na América Latina e no Caribe, região que soma 184 milhões (34%)
de pessoas em situação crítica. Uma população imensa que tem nos meios de
comunicação um reprodutor da ideologia enlatada, como a estética da
violência de seus filmes, para que se mantenha consumindo e nada mude.
Assim, “os filmes nacionais retêm somente 10% das bilheterias no Brasil e 9%
na Argentina, enquanto as produções norte-americanas respondem,
respectivamente, por 79,4% e 82,1%”. De acordo com a Agência Nacional de
Cinema (Ancine), a indústria global do audiovisual fatura no Brasil cerca de
R$ 18 bilhões, equivalentes a 1,5% da sua receita mundial.
O livro de Denis Moraes aponta que, no Brasil,
“seis empresas de mídia controlam o mercado de TV,” um mercado que gira mais
de US$ 3 bilhões por ano. A Rede Globo detém aproximadamente metade deste
mercado, num total de US$ 1,59 bilhão. Estas seis principais empresas de
mídia controlam, em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668
veículos midiáticos (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva; a
Globo, sozinha, detém 54% da audiência da TV”. O sinal da Globo é
transmitido a 99,84% dos municípios brasileiros.
Com boa parte dos sistemas de telecomunicação
privatizados/desnacionalizados, a América Latina também sofre com a falta de
acesso regular a internet, que poderia servir de alavanca para a
democratização do conhecimento e a superação de problemas: “Somente 85
milhões dos 560 milhões de latino-americanos estavam conectados no primeiro
trimestre de 2008. No Brasil, apenas 2% da população mais pobre tem acesso
regular à Internet”. EUA e Europa concentram 67% dos usuários contra 4% da
América Latina.
A falta de opção compromete a formação,
obviamente. “Pesquisa divulgada em abril de 2008 revela que mais de 90% dos
municípios brasileiros não possuem salas de cinema, teatros, museus ou
centros culturais. Apenas 5% da população vão ao cinema regularmente; 94,3%
jamais viram uma exposição de arte e 600 municípios não dispõem de uma
biblioteca. O índice de leitura per capita é de menos de dois livros por
ano”. Com o apagão cultural, resta a televisão, tomada pelos enlatados
estrangeiros: “85,5% das importações audiovisuais da América Latina provêm
dos EUA. Mensalmente, 150 mil horas de filmes, seriados e eventos esportivos
norte-americanos são apresentadas nas emissoras de TV latino-americana”. Uma
verdadeira intoxicação diária, ressalta Ignacio Ramonet, com o continente
consumindo uma imagem de si mesmo produzida fora da esfera de seu
imaginário.
E quando governantes comprometidos com a causa
da democratização ousam questionar tamanho atentado à liberdade dos
indivíduos, vem como seu cão de guarda a Sociedade Interamericana de
Imprensa (SIP), rugir contra o atentado à liberdade de empresa, aos seus
aparelhos monopolistas privados de dominação. A SIP conta com 1.300
publicações de 30 países, que, juntas, somam 43 milhões de exemplares,
vociferando contra todo e qualquer avanço.
Nas palavras de Denis Moraes, “a revisão de
outorgas representa o calcanhar-de-aquiles das políticas públicas de
comunicação na América Latina. Afinal, as redes de rádio e televisão são as
jóias da coroa, em termos de faturamento, dos megagrupos midiáticos e a base
de sua influência ideológica-cultural”.
O intenso processo de debates deflagrado pela
Confecom evidencia que a luta pela mudança do marco regulatório, com
critérios claros para as concessões públicas, com regras que garantam o
controle social – Isto é, coletivo, sobre o furor mercantil -, com estímulo
e financiamento a redes públicas, comunitárias e estatais, é mais do que
necessária, imprescindível para o desenvolvimento da nossa sociedade. É
chave para abrir o futuro às novas gerações.
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Secretária de Comunicação da CUT Nacional e membro da Comissão de
Organização da Confecom |