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Região de Campinas pede revisão dos pedágios e das concessões
Deputados, vereadores, empresários e lideranças de seis municípios da região
exigiram revisão na política de concessões das rodovias do Estado
“Agora
pagamos pedágio até para ir ao cemitério”, denunciou Carmelo Campregher, morador
da comunidade de Helvetia, instalada há 150 anos em Indaiatuba, região
metropolitana de Campinas (SP), em audiência pública realizada nesta
quarta-feira (07), na Comissão de Transportes e Comunicações da Assembléia
Legislativa.
“A região tem três praças de cobrança, uma delas no acesso à comunidade de
Helvetia”, contou Campregher. “Até para enterrar nossos mortos teremos de pagar
pedágio”, protestou indignado. A responsabilidade, disse, é da “sucessão de
inconsequências do governo estadual”.
Centenas de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, moradores e lideranças
comunitárias de Campinas, Cosmópolis, Paulínia, Engenheiro Coelho, Arthur
Nogueira, Indaiatuba e Jaguariúna foram à audiência e denunciaram que São Paulo
está sitiada por pedágios.
Atualmente, há 91 praças de cobrança nas rodovias incluídas no programa de
concessões rodoviárias do governo do Estado e 27 novos pedágios entram em
operação até o final do ano.
Um deles é na altura da Refinaria do Planalto (Replan), na SP-332 próximo de
Paulínia. A praça de cobrança fica exatamente no retorno da rodovia, o que
obrigará até os funcionários da Replan a pagar para passar.
Segundo o representante da Associação Comercial de Paulínia, Wilson Machado,
pelos cálculos dos comerciantes da região, a nova praça de pedágio planejada
para a SP-332 vai amealhar R$ 1 milhão por dia. “São 39 mil veículos que
transitam diariamente entre Paulínia, Cosmópolis e região. A arrecadação é de R$
1 milhão por dia. Acho que a SP 332 é a única rodovia do país onde o motorista
paga pedágio para retornar”, afirmou Machado.
No dia 14 de agosto, os moradores dos municípios afetados fizeram um protesto
contra a nova praça. A deputada Ana Perugini (PT), que esteve na manifestação,
denunciou durante a audiência que “José Serra já é conhecido como o governador
dos presídios e pedágios. Não queremos pedágios na SP 332 e queremos rever os
valores das tarifas em todo o Estado”. “A região de Campinas não vai mais
aceitar ser assolada por pedágios, pois as cidades estão sendo isoladas, e
trabalhadores e estudantes, prejudicados”, advertiu.
Para o vereador Linho, de Indaiatuba, o processo de concessão das rodovias em
São Paulo “é coisa de amador, pois foi feito estrada por estrada, não se
pensando no Estado”. Um Estudo comparativo entre as tarifas por quilômetro nas
concessões estaduais e federais foi apresentado por Roberto Felício (PT).
De acordo com Felício, “se o pedágio nas rodovias paulistas fosse semelhante às
rodovias federais, eu pagaria R$ 3,80 para transitar entre São Paulo e
Piracicaba. Só que para meu azar, o governador de São Paulo é José Serra e não
Lula; então, gasto R$ 17,60 neste trecho”.
Essa diferença pesa na hora de contabilizar o custo da produção que passa pelo
Estado. O diretor da Associação de Transporte Rodoviário do Brasil, a ATR
Brasil, Valmir Brustolin, avaliou que “os caminhões pagam pedágio por eixo e
gastam, em média, R$ 10.700 por mês de pedágio nas rodovias paulistas para
chegar ao Porto de Santos. Este valor representa 1/3 do faturamento que temos
com o veículo”.
No fim, até mesmo o deputado Edmir Chedid (DEM), que é presidente da Comissão e
da base do governo tucano, se rendeu às evidências de que os pedágios
estrangulam a produção. Chedid disse que irá encaminhar as reclamações Agência
Reguladora de Serviços Públicos de Transporte de São Paulo (Artesp), pois “fica
demonstrado que é preciso estabelecer uma política diferenciada”. |