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MST defende que a terra grilada pela Cutrale tem que ser destinada para Reforma
Agrária
As 250 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
que desde o dia 28 de setembro ocupavam a fazenda Santo Henrique, em Borebi, a
cerca de 300 quilômetros da cidade de São Paulo, deixaram pacificamente a área,
na quarta-feira (7), após decisão da Justiça de São Paulo de conceder
reintegração de posse à empresa Sucocítrico Cutrale, que utiliza as terras com
plantio de laranjas.
“Conseguimos denunciar que a Cutrale esconde embaixo de um laranjal a grilagem
de terras. Vamos continuar a luta para que a lei seja cumprida e a área seja
destinada para a reforma agrária. O governo e a Justiça precisam cumprir o seu
papel e retomar essa área, que é um patrimônio do país e não pode ser utilizada
para o benefício privado”, afirmou Márcia Merisse, da coordenação estadual do
MST.
Os sem terra argumentam que a área pertence à União e são usadas há dez anos
ilegalmente pela empresa do agronegócio, que monopoliza a produção de laranja no
Brasil. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) confirmou
que a área integra um conjunto de terras públicas, que o órgão reivindicou em
2006 para implantação de assentamentos e aguarda decisão da Justiça Federal.
Ao ser informado, na terça-feira (6), que receberiam um aviso de liminar para a
desocupação da área, integrantes do MST reafirmaram que continuarão exigindo que
as terras griladas na região sejam destinadas para a implantação de
assentamentos. Por meio de nota, o movimento ressaltou que parte da lavoura de
laranjas foi derrubada para denunciar a grilagem de terras públicas por parte de
monopólios do agronegócio.
“A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas,
que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o
símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a
grilagem de terras públicas”, diz o texto.
O MST também acusou a empresa de crimes ambientais e formação de cartel na
produção de sucos. “A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar
impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem
tratamento em diversos rios”, afirma a nota.
“Nossa ação não é contra as laranjas, mas contra a Cutrale. Infelizmente, as
influências da empresa na imprensa nacional, manipulou o protesto dos ocupantes,
para esconder a verdadeira situação”, acrescenta.
A empresa alegou que possui documentos que comprovariam ser a proprietária da
área. No entanto, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 28 de
janeiro de 2008, não deixa dúvidas quanto à existência do litígio. Um despacho
do ministro Francisco Peçanha Martins, diz que a empresa pode continuar ocupando
a fazenda “até o julgamento do mérito da ação reivindicatória” movida pelo
Incra.
A ação foi proposta em 1997 e o órgão obteve tutela antecipada de 30% do imóvel,
o que resultou no assentamento Zumbi dos Palmares em 1998. Em 2007, o Tribunal
Regional Federal da 3ª Região concedeu a posse da totalidade da área, mas a
Cutrale entrou com pedido de reconsideração e a decisão foi reformada. O Incra
apresentou então pedido de suspensão da liminar ao STJ, que foi mantida “até que
se ultime o julgamento da ação”. |