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Deputada abafa corrupção de Yeda e pede arquivamento do impeachment
A deputada estadual Zilá Breitenbach (PSDB),
responsável pelo relatório sobre o pedido de impeachment contra a governadora,
também tucana, Yeda Crusius, entregou na terça feira (06) o seu parecer
recomendando o arquivamento do pedido. O relatório, que devia ser entregue
somente na quinta feira (08), foi antecipado.
A Comissão Especial foi montada após o
presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan (PT),
aceitar o pedido para instalar um processo por improbidade administrativa feito
pelo Fórum dos Servidores Públicos do Estado.
Mas a governadora tem maioria na Comissão.
São 17 deputados pró-Yeda e 12 da oposição. Além da relatora, o presidente da
Comissão, Pedro Westphalen (PP), é aliado de Yeda Crusius.
Westphalen rejeitou sumariamente o pedido
assinado por um terço dos parlamentares da comissão para convocar uma reunião da
comissão que esclarecesse melhor as denúncias contra Yeda. Os deputados
oposicionistas que integram a comissão denunciaram as manobras dos aliados da
governadora para abafar as denúncias. “Nós vamos denunciar e mostrar essa farsa
que foi montada pelo Westphalen e Zilá, e vamos estabelecer um relatório
paralelo”, afirmou o deputado Raul Pont (PT).
Pont ficou surpreso ao saber que Zilá tinha
adiantado o relatório e questionou as razões da deputada. “Com que debate na
Comissão? Quem ela (Zilá) ouviu? Que diligência foi feita? Como podemos saber se
a opinião dos 29 deputados (que compõem a comissão) não poderia ter modificado o
parecer? Então é uma farsa. É o que estávamos denunciando que ia acontecer”,
disse.
Pont declarou também que a comissão não pode
votar o relatório de Zilá sem que todos os seus 29 integrantes tomem
conhecimento das informações analisadas. “Eles se recusam a participar dessa
reunião e a relatora não procurou essas evidências”. “Ou então terão que votar
informando que se recusaram a ver as provas às quais tivemos acesso”, informou.
Após analisarem áudios, vídeos e informações
da quebra de sigilo bancário e fiscal da governadora e pessoas próximas a ela,
em reunião a portas fechadas, 11 deputados pediram uma audiência à juíza federal
Simone Barbisan Fortes para, com os dados, tentar reverter o arquivamento do
pedido na votação marcada para a noite desta quinta-feira. “Há discrepâncias
consideráveis nas informações que exigem o aprofundamento do trabalho”, afirmou
Ronaldo Zülke (PT). Para o deputado Paulo Azeredo (PDT), o relatório de Zilá não
contemplou informações analisadas hoje pela oposição.
A presidente da CPI instalada para investigar
os delitos de Yeda, Stela Farias (PT), afirmou, na quarta-feira, que notas
fiscais obtidas em três lojas de material de construção e móveis de Porto Alegre
mostraram a compra de materiais de construção e mobília por parte da Casa
Militar do Estado, em um valor total que atinge R$ 100 mil.
De acordo com a Stela, os materiais de construção e móveis eram adquiridos
através da Casa Militar e entregues na Rua Araruama, 806, onde Yeda reside desde
2006.
Os gastos do governo com as compras
incluiriam cerca de R$ 8 mil em pisos de borracha utilizados em garagens e
móveis com tema infantil, que teriam sido utilizados na decoração do quartos dos
netos da governadora. |