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Miguel Insulza: “OEA só
reconhece eleições com o retorno de Zelaya”
Representante
brasileiro, Ruy Casaes, destacou que a “recondução de Zelaya é essencial à
normalização da ordem democrática no país”
Chefiando uma missão de ministros e diplomatas do continente, o
secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel
Insulza, deu início, na quarta-feira, à negociação entre os representantes
do governo legítimo de Manuel Zelaya e os golpistas instalados no país em 28
de junho.
“Iniciamos hoje um processo que tem como objetivo superar a crise política
em que o país foi submerso, a partir dos acontecimentos de 28 de junho”,
disse Insulza, advertindo que as eleições hondurenhas, marcadas para 29 de
novembro, “não serão reconhecidas pela comunidade internacional sem o
retorno do presidente eleito”.
“Aqueles que pensaram que seria possível depor um presidente e, sem retomar
a democracia golpeada e normalizar a vida no país antes de iniciar uma
campanha eleitoral, devem perceber que isso não tem sido possível”, frisou
Insulza.
O embaixador Ruy Casaes, representante do Brasil na OEA, que integra a
comissão, reafirmou essa posição: “A reinvestidura do presidente Zelaya é um
elemento essencial à normalização da ordem democrática no país e à
restauração do estado de direito. Esse é um ponto de vista inegociável do
ponto de vista da comunidade internacional”. Casaes acrescentou que “outro
elemento essencial é obviamente uma anistia política, sem o que as feridas
continuarão abertas”.
Os golpistas, porém, apesar de formais declarações de respeito à democracia,
expressaram que não estão dispostos a permitir o retorno do presidente
Zelaya ao poder, mesmo nas condições precárias estipuladas pelo “Acordo de
São José”, estabelecido pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Tentam
encobrir o golpe alegando supostas violações da Constituição por parte do
presidente legítimo. O que Zelaya propôs – sem efeito vinculante - foi que o
povo dissesse se concordava ou não, através de voto em urna especial nas
seções eleitorais do pleito de novembro, com a convocação da Assembléia
Nacional Constituinte.
“Se houvesse acusações contra o presidente legítimo de Honduras, a respeito
de descumprimento de cláusulas constitucionais, que ele fosse julgado, como
qualquer pessoa. É o estado de direito, e isso está consagrado, por exemplo,
na Convenção Interamericana de Direitos Humanos, no capítulo que trata de
garantias judiciais. É a pessoa ter direito a defesa. Zelaya não teve
direito a defesa. O que houve foi um julgamento sumário, a revelia, do ponto
de vista técnico. Ele não foi citado, e não tendo sido citado, lhe foi
negado um direito essencial à condição humana”, ressaltou Casaes, em
entrevista à BBC Brasil.
“Os golpistas não tinham razão para o golpe e trabalham com suposições. O
concreto é que Zelaya nunca convocou uma Constituinte, que Zelaya nunca
manifestou querer a sua reeleição. Alias, Zelaya sempre disse o contrário,
que não ficaria nenhum dia a mais do que até o dia 27 de janeiro, quando
acabaria seu mandato”, sublinhou Carlos Reina, porta-voz do presidente, em
entrevista a Terra Magazine.
O presidente Zelaya disse em coletiva de imprensa realizada na embaixada
brasileira em Tegucigalpa que “solicitei aos chanceleres internacionais da
comissão da OEA que não se deixem manipular pelo regime golpista que só quer
ganhar tempo e viabilizar as eleições de forma inválida”. Ele deu um prazo
até o dia 15 próximo para seu retorno à presidência, sob pena das eleições
se tornarem “automaticamente inválidas”.
Insulza também insistiu no restabelecimento das liberdades e garantias
constitucionais, suspensas por Micheletti no último dia 30. Solicitou a
reabertura da Rádio Globo e do Canal 36 de TV, tirados do ar pelos golpistas
no dia 31. Pediu que sejam garantidas condições de trabalho a Zelaya,
hospedado desde o dia 21 na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Apesar de
Micheletti já ter revogado o decreto que impôs o estado de sítio no último
final de semana, a decisão só terá efeito quando publicada no diário
oficial, o que até agora não se sabe quando acontecerá.
EMBAIXADA
Em mais uma manobra para desviar a atenção dos seus atos, o governo de
Roberto Micheletti disse, na quarta-feira, que há “estrangeiros e
hondurenhos” com armas no interior da embaixada do Brasil em Honduras. O
representante diplomático brasileiro, Ruy Casaes, negou as acusações.
“Não há ninguém armado na sede diplomática, onde aproximadamente 60 pessoas
permanecem”, afirmou o embaixador, completando que os únicos hondurenhos que
lá estão são funcionários do Brasil.
Da reunião participaram, junto com o secretário geral da OEA, José Miguel
Insulza, cinco chanceleres de países latino-americanos (Costa Rica, Equador,
El Salvador, Guatemala, México), o subsecretário de Estado norte-americano
para América Latina, Thomas Shannon, os vice-chanceleres do Canadá, Jamaica,
Panamá e República Dominicana, e os representantes de Argentina e Brasil
ante a OEA, Rodolfo Hugo Gil e Ruy Casaes e Silva, respectivamente. De
Honduras, foram três representantes do governo legítimo de Zelaya e três do
regime de Micheletti.
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