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Micheletti reprime
manifestação de apoio a representantes do continente
Horas antes que se instalasse o encontro de diálogo mediado pela OEA,
policiais e militares obedientes ao governo golpista de Honduras reprimiram
uma manifestação com centenas de pessoas, em defesa do retorno ao poder do
presidente Manuel Zelaya, que marchava desde a embaixada dos Estados Unidos
até a sede diplomática de Guatemala, onde desde a terça-feira passada se
asilou um grupo de indígenas.
“O diálogo se inicia com maus augúrios se os golpistas não conseguem
conviver com a população se manifestando pacificamente, sem outra intenção
que expressar suas opiniões. Isso com o fechamento de dois meios de
comunicação que não comungam com o atropelo à democracia”, denunciou o
presidente.
O jornalista Félix Molina disse que com granadas de gás, cassetes e tiros
que não eram só de borracha, “os golpistas perpetraram um ataque dos mais
agressivos contra a Resistência”. Os manifestantes, vários deles feridos,
correram em direção ao centro da capital. Para isso, forçosamente tiveram
que passar na frente do grande contingente policial e militar postado na
embaixada do Brasil.
“Cadê o fim do estado de sítio? Nem sequer manter as aparências esse governo
usurpador consegue”, assinalou Rafael Alegria, da Frente Contra o Golpe de
Estado de Honduras.
“Desde o retorno do presidente Zelaya, em 21 de setembro, foram registradas
mais de 15 mortes em manifestações, cometidas pela polícia ou soldados”,
revelou um registro apresentado à delegação do Conselho Latino-americano de
Igrejas pelas pastorais de Tegucigalpa. Denunciaram ainda que, nesse
período, 700 pessoas foram presas e houve 1200 toques de recolher.
“Há um grande número de pessoas presas que não conseguimos registrar, e de
baleadas ou golpeadas que não vão aos hospitais por medo de sofrerem mais
repressão ou porque não têm dinheiro para pagar seus serviços”, disse aos
visitantes o coordenador do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos em
Honduras, Andrés Pavón.
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