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Dez empresas açambarcam
o mercado mundial de medicamentos
Uma dezena de empresas gigantescas entre elas as
denominadas “Big Pharma” - – Bayer, Glaxo-SmithKline (GSK), Merck, Novartis,
Pfizer, Ro-che, Sanofi-Aventis – controlam o mercado mundial de medicamentos
que representa cerca de 70 bilhões de euros, como informa em seu artigo
Ignácio Ramonet, editor do jornal Le Monde Diplomatic de 1990 a 2008.
“Seus lucros são superiores aos obtidos pelos poderosos
grupos do complexo militar-industrial. Para cada euro investido na
fabricação de um medicamento de marca, os monopólios ganham mil no mercado.
Ademais, três dessas companhias (GSK, Novartis e Sanofi) pretendem ganhar
milhares de milhões a mais de euros nos próximos meses graças à venda maciça
da vacina contra o vírus A (H1N1) da nova gripe”, destaca Ramonet.
“A ofensiva dos monopólios farmacêutico-industriais não
tem fronteiras”, prossegue o jornalista, acrescentando que “também estariam
implicados no recente golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya em
Honduras, país que importa todos os seus medicamentos, produzidos
fundamentalmente pelas ‘Big Pharma’”.
“Desde que Hon-duras entrou para a Aliança Bolivariana
para os Povos da América (Alba), em agosto de 2008, Zelaya negociava um
acordo comercial com Havana para importar genéricos cubanos, com a intenção
de reduzir os gastos de funcionamento dos hospitais públicos de seu país. E,
na Cúpula do dia 24 de junho, os presidentes da Alba se comprometeram a
‘revisar a doutrina sobre a propriedade industrial’, ou seja, a qualidade de
intocável das patentes em matéria de medicamentos. Estes dois projetos, que
ameaçavam diretamente seus interesses, levaram os grupos farmacêuticos
transnacionais a apoiar fortemente movimentos golpistas que derrubariam
Zelaya em 28 de junho daquele mês”, afirma Ramonet.
Ele destaca ainda a ira dos monopólios aos projetos de
Obama pa-ra a saúde nos EUA: “Além disso, Barack Obama, desejoso de reformar
o sistema de saúde dos Estados Unidos, que deixa sem cobertura médica 47
milhões de cidadãos, enfrenta a ira do complexo farmacêutico-industrial.
Aqui, as quantias em jogo são gigantescas (os gastos com saúde representam o
equivalente a 18% do PIB) e controladas por um vigoroso lobby de interesses
privados que reúne, além das Big Pharma, as grandes companhias de seguro e
todo o setor de clínicas e hospitais privados. Nenhum desses atores quer
perder seus opulentos privilégios. Por isso, apoiando-se nos grandes meios
de comunicação mais conservadores e no Partido Republicano, estão gastando
dezenas de milhões de dólares em campanhas de desinformação e de calúnias
contra a necessária reforma do sistema de saúde”.
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