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Favela Diogo Pires incendeia pela quarta vez em São Paulo
Segundo o IPT, ocorrem 800 incêndios em média por ano em áreas de assentamento
Mais
uma favela
foi destruída em São Paulo, no último domingo (11), por um grande incêndio que
atingiu cerca de 300 barracos no núcleo Diogo Pires, em Vila Nova Jaguaré, na
Zona Oeste da capital paulista. O incêndio, que devastou toda a área de 800
metros quadrados em cerca de 2h30, foi o quarto no mesmo local, que já teve
barracos destruídos por chamas em 2000, 2002 e 2006.
A Secretaria de Habitação da prefeitura informou que cerca de 1.365 pessoas
foram atingidas pela tragédia, mas o número pode ser maior ainda porque nem
todas as famílias estavam cadastradas. A Defesa Civil não registrou mortos ou
feridos, mas os moradores perderam tudo que possuíam e terão que ser socorridos
em abrigos.
O Corpo de Bombeiros deslocou 23 viaturas e 70 bombeiros para a operação de
combate às chamas. “Como os barracos eram todos de madeira, a combustão ficou
mais fácil e o fogo se propagou com muita rapidez”, ressaltou o capitão Jordas,
do comando central dos bombeiros.
Os dados disponíveis revelam a dimensão do problema social enfrentado pelos
moradores de favelas paulistanas, localizadas em regiões nobres e de grande
interesse imobiliário que, além de sofrerem com a remoção forçada por meio de
reintegração de posse, também estão sendo expulsos das moradias por incêndios
que vêm aumentando.
Um documento da FINEP, elaborado em 2005 com apoio do Laboratório de Segurança
do Fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), enumera a ocorrência de
800a incêndios nas áreas de assentamento, em média, por ano em São Paulo. Em
2002, foram registradas 756 ocorrências e, até março de 2003, outras 130
ocorrências.
“Especialmente nestes locais os incêndios são sempre catastróficos, gerando
altos custos sociais e financeiros que vão desde as perdas humanas e materiais
das vítimas até o custo para o poder público”, anotou o engenheiro José Carlos
Tomina, responsável pelo Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT.
A situação se agravou e os incêndios aumentaram, na medida em que a política de
remoção das favelas de áreas valorizadas foi intensificada. Um exemplo ocorreu
no Jardim Edith, uma favela vizinha da Ponte Estaiada, na esquina das avenidas
Berrini e Jornalista Roberto Marinho. Em setembro de 2007, um incêndio atingiu o
local destruindo inteiramente os barracos que restavam depois de uma década e
meia de expulsão gradativa, eliminando definitivamente o aglomerado.
No final do mesmo ano, em dezembro, um grupo de moradores da favela Real Parque
– próxima a condomínios de luxo na Marginal Pinheiros – foram retirados de seus
barracos de forma violenta numa ação de reintegração de posse, concedida à
Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) do governo do Estado.
Em janeiro de 2008, duas favelas foram destruídas por incêndios no mesmo dia. O
primeiro ocorreu na favela Vietnã, no Jardim Oriental, região do Jabaquara, Zona
Sul de São Paulo, por volta das 13 horas, deixando mais de 200 pessoas
desabrigadas. O segundo, destruiu os barracos da Rua Barbeiro de Sevilla, no
Parque São Lucas, Zona Leste da capital, por volta de 21 horas.
As causas do incêndio que destruiu a favela Diogo Pires, que também era
localizada em uma das regiões mais valorizadas da cidade – próxima à Marginal
Pinheiros – ainda não foram identificadas, mas as suspeitas são que um curto
circuito em ligações elétricas precárias teria provocado o fogo. Aliás, essa tem
sido uma das causas mais apontadas pelas autoridades para esse tipo de
incidente, que nem sempre fica esclarecido.
Com mais esse episódio envolvendo fogo em favelas de São Paulo, o blog do
jornalista Luis Nassif repercutiu as considerações enviadas por um leitor,
observando que “já dá pra desconfiar de tanto incêndio”.
Em 2005, moradores da favela Aldeinha – localizada ao lado da Ponte Júlio de
Mesquita Neto, na Zona Norte, afirmaram terem visto dois policiais da Rondas
Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA) entrarem em um barraco aparentemente vazio e em
seguida atearem fogo em colchões que estavam no local. O caso foi noticiado em
vários jornais. |