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CREA-RJ e Sindicato dos Ferroviários da Central
do Brasil:
“Caos nos trens da SuperVia é devido à falta de
investimento”
A Comissão do Conselho Regional de Engenharia
irá investigar irregularidades
O presidente da Comissão de Análise de
Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de
Engenharia e Arquitetura (CREA-RJ), Agostinho
Guerreiro, afirmou que na próxima semana o
conselho irá ouvir profissionais do setor
ferroviário para apurar os atrasos e o
atendimento precário ocorridos nos trens da
SuperVia, no Rio de Janeiro.
“Vamos reunir nossos técnicos e ouvir os
profissionais registrados no CREA que trabalham
na manutenção dos trens da SuperVia. Estamos
extremamente preocupados com estes desfechos
violentos que só têm prejudicado a população
usuária. Falta manutenção preventiva nos
terminais ferroviários e isso vem acarretando
acidentes, como estes que ocorreram em Japeri e
na Central do Brasil, pondo em risco a segurança
das pessoas”, afirmou Agostinho. “É preciso que
a SuperVia invista na prevenção. Acidentes como
estes poderiam ser evitados se houvesse mais
empenho na sinalização e manutenção dos trens.
São milhares de usuários por dia, que dependem
deste transporte. É preciso respeitar o cidadão
que precisa deste meio de transporte para chegar
ao trabalho”.
Na última quarta-feira (17), os atrasos
ocorridos nos trens revoltaram os passageiros,
que ocuparam as linhas férreas e estações
protestando contra a situação do transporte da
SuperVia. Na quinta e sexta-feira, os atrasos se
repetiram (ver matéria ao lado).
O presidente do Sindicato dos Ferroviários da
Central do Brasil, Valmir Índio Lemos, descartou
que os atrasos nos trens ocorridos na
quinta-feira sejam resultados de sabotagem, como
afirmou laudo preliminar. De acordo com Lemos,
os defeitos são frutos de falta de investimento
da concessionária que açoitava seus passageiros.
O sindicalista disse também, sobre o incidente
da quinta feira, que não houve qualquer ação de
sabotagem, mas de falta de manutenção na fiação
aérea da ferrovia e no equipamento que conecta o
trem com os cabos elétricos, o pantógrafo.
“Na verdade, estão transferindo a
responsabilidade para um suposto sabotador. Mas
o problema é falta de manutenção. Na
quarta-feira (7), o que houve é que a empresa
arrancou os mecanismos de abertura das portas
dos trens, o que ocasionou o tumulto entre as
pessoas que já estavam aguardando há 30 minutos
dentro dos vagões”, afirmou.
Lemos também ressaltou que os lucros da
empresa são imensos, mas que esse dinheiro nunca
foi reinvestido. “Esperamos que os deputados se
mobilizem e olhem com atenção, porque alguma
coisa está errada. A sabotagem começa quando a
empresa não faz investimentos em um patrimônio
público que tem a obrigação de administrar. Não
se tem o número de passageiros exato, não se
sabe quanto ela arrecada, há várias propagandas
e comércios nas estações e esse dinheiro não se
sabe para onde vai”, disse.
Lemos esteve com o deputado Gilberto Palmares
(PT), que decidiu convocar uma audiência pública
na próxima semana, com a indicação da criação de
uma comissão especial para investigar a SuperVia.
“Na semana que vem haverá aqui, na Alerj
[Assembléia Legislativa do Estado do Rio de
Janeiro], uma audiência pública para discutir a
problemática dos trens. No mínimo uma comissão
especial focada no transporte ferroviário nós
vamos sugerir. Eu concordo que os problemas já
ocorridos justificariam uma CPI, mas isso
depende de um debate maior”, afirmou Palmares.
INDENIZAÇÕES
O promotor de Justiça Carlos Andrezano, da
Promotoria de Defesa do Consumidor do Rio de
Janeiro, decidiu entrar com uma ação civil
pública, na próxima terça-feira, contra a
SuperVia pelos danos causados a população nos
últimos anos e por futuros danos que possam a
ser causados.
A ação solicita a formação de um fundo de
restituição de bens lesados no valor de R$ 1
milhão. Em sua petição, Andrezano reuniu quatro
incidentes além dos tumultos da semana passada e
indicou falhas no sistema da SuperVia desde 14
de julho de 2008, questionando a falta de
investimentos. “O fato de garantir a gratuidade
nas passagens um dia depois não exime a empresa
de culpa”, disse o promotor.
O prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias
(PMDB), deu entrada no Fórum da cidade com um
processo contra a SuperVia, exigindo que a
concessionária devolva imediatamente o valor
integral das passagens em casos de pane,
paralisação ou defeitos que impossibilitem o
serviço. A ação de Lindenberg solicita R$ 2
milhões para indenizações e para a criação de um
plano de contingência que deve garantir a
segurança dos usuários.

Passageiros voltam a enfrentar atrasos
Os usuários dos trens da empresa SuperVia
tiveram que enfrentar novos atrasos após
milhares de pessoas serem prejudicadas na
quarta-feira, quando um trem quebrou no ramal,
perto da estação de Nilópolis, no caminho da
Baixada Fluminense para o centro do Rio de
Janeiro.
Na quinta-feira, um trem que chegava à
Central apresentou defeito por volta das 16
horas, levando à suspensão da partida das demais
composições por quase 40 minutos.
Para conter as manifestações da população, a
empresa chamou o Batalhão de Choque da Polícia
Militar, que utilizou gás lacrimogêneo e bala de
borracha contra os passageiros. A estação da
Central do Brasil foi fechada e reabriu apenas
às 17h40m.
A manhã de sexta-feira também iniciou com 20
minutos de atrasos, após trens dos ramais de
Santa Cruz e Deodoro apresentarem problemas. A
solução da empresa, para evitar superlotação nas
plataformas, foi fechar, por 10 minutos, onze
estações, de Bangu a Santa Cruz.
Às 7h30m do sábado, um trem da SuperVia do
ramal Japeri parou entre as estações de Ricardo
de Albuquerque e Deodoro, sentido Central do
Brasil. Novamente, os passageiros tiveram que
caminhar pela linha férrea. Cinco pessoas
passaram mal, entre elas uma grávida de oito
meses, levada para o Hospital Alexandre Fleming.
Os demais foram encaminhados ao Hospital Carlos
Chagas. |