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Resistência hondurenha enfrenta o Estado
de Sítio com mobilizações
“Nós crescemos
e os golpistas minguam”, afirmou o sindicalista Juan Barahona, ao liderar na
segunda-feira centenas de manifestantes em protesto no bairro Kennedy, em
Tegucigalpa
A Frente Nacional contra o golpe de Estado de Honduras se manteve nas ruas,
na segunda-feira, dia12, reunindo centenas de manifestantes num dos
principais bairros da capital, Tegucigalpa, apesar do Estado de Sítio e do
cerco imposto por policiais armados.
“Depois de 107 dias de luta estamos mais fortes. Saímos às ruas para
protestar, pedir a restituição da democracia e agir contra a suspensão das
garantias constitucionais, decretada pelo governo golpista no dia 26 de
setembro e que ainda não foi suspensa, apesar da propaganda da mídia da
ditadura que quer posar de democrática. Nem publicar no Diário Oficial
publicaram" assinalou o coordenador geral da Frente, Juan Barahona, que
convocou a população para nova manifestação no dia seguinte. “Pensam que vão
nos intimidar com bombas. Até que derrotemos o golpe e retomemos o governo
constitucional, com o presidente Zelaya, nos mantemos nas ruas. Nós
crescemos e os golpistas minguam", afirmou o sindicalista.
Do alto de um caminhão estacionado na entrada do bairro Kennedy, Barahona
fez ecoar pelos alto-falantes que, no diálogo iniciado com representantes do
governo usurpador, na quarta-feira última, “o objetivo central é a
restituição do presidente Manuel Zelaya, que foi derrubado pelos militares
em 28 de junho passado”.
“Vamos continuar com a resistência nas ruas, apesar da repressão e desses
decretos, porque quando um povo organizado se levanta, não há exército nem
polícia que possa nos deter”, acrescentou.
O dirigente camponês Rafael Alegría, também presente no ato, sublinhou que
“a repressão, no nosso caso, não nos esmorece. Quem precisa de força contra
o povo é porque defende os interesses da oligarquia. No dia 16, a Via
Campesina vai se mobilizar na América Latina toda contra as corporações e
aqui nós vamos também nos somar. Afinal, este é um governo das corporações
internacionais”.
A manifestação precede uma reunião que acontecerá na terça-feira, dia 13,
entre três representantes de Zelaya, incluindo Barahona, e três da delegação
do governo golpista de Micheletti. O diálogo entre as duas partes em
Honduras começou quinta-feira, dia 8, com a intermediação de uma delegação
da OEA, com o objetivo de encontrar uma saída para a crise política
instaurada com o golpe.
O presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, e os representantes da
ditadura concordaram, durante reunião na mesa de diálogo, criar um gabinete
conjunto. O fato é que tudo depende da restituição do presidente, o que
ainda não é tema de acordo, revelou no sábado (dia 10), o dirigente
sindical.
Barahona esclareceu ainda que os pontos em que houver concordância serão
assinados somente se for resolvido o assunto central da crise, a restituição
de Zelaya, que está alojado na embaixada do Brasil desde que voltou ao país
em 21 de setembro.
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