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Agressões, desaparecimentos e mortes com tiro na cabeça de oposicionistas
Em Carta Aberta, empresário hondurenho
testemunha sobre “crimes dos golpistas”
Em seu “Testemunho sobre os crimes políticos em Honduras - carta aberta de
um empresário hondurenho”, Arquimedes Alfaro Riestra, membro do Conselho
Superior da Empresa Privada do país, denuncia o clima de terror que se abate
sobre a população, com perseguições e assassinatos.
“Todos os hondurenhos estamos sofrendo uma crise que nos deixou sem comida
nos mercados e supermercados, com escassez de combustíveis, cortes de
energia elétrica que nos impedem trabalhar-, presença militar em todas as
ruas e repressão, onde os guardas já nem pedem mais a identidade, somente te
golpeiam e mandam para casa”.
Conforme Arquimedes, sua empresa está tomada por dezenas de guardas que ali
permanecem todo o tempo, tendo saqueado grande parte de suas ferramentas.
“Dos 20 empregados operários, 15 estão detidos sem nenhuma acusação e isso
há mais de mês. Um de meus melhores funcionários é de origem nicaraguense,
de Ocotal, se chama Ramón Arellano Araúz. Há duas semanas o levaram preso, o
golpearam duramente na frente dos demais empregados e, desde esta data,
encontra-se desaparecido. Na saída sul de Tegucigalpa, apareceram cerca de
30 pessoas mortas. Fui com outros empregados ver se reconhecia o nica. A
maioria eram jovens de uns 18 ou 19 anos, todos parcialmente queimados,
tinham as mãos amarradas com arames e com tiros na cabeça. Pude observar a
um grupo de direitos humanos recolhendo projéteis de armas, creio que de
M-16.”
Alheio à realidade dos fatos, condenou Arquimedes, o Conselho da Empresa
Privada convocou uma assembleia urgente para que seus sócios “doassem cinco
mil dólares para um fundo de apoio ao governo golpista e escrever ao
exterior dizendo que tudo está calmo”. “Não fiz nenhuma dessas coisas, não
estou de acordo em enganar o mundo com algo que me dói o coração.
Diariamente estou vendo pessoas morrerem nas mãos dos militares, há
desespero entre o povo”, acrescentou.
“Eu estou vendendo tudo o que possuo e providenciando para que minha família
saia do país. Tenho outra empresa em El Salvador e já enviei parte dos
equipamentos a esse país. De meus três filhos, dois já estão fora, somente
me acompanha o menor e minha esposa, creio que os outros correm perigo pela
repressão. Peço a todos os cidadãos do mundo que não nos esqueçam”.
“Agora só nos resta que o mundo ajude para que as coisas voltem a seu lugar,
é triste ver nas ruas aos militares atacando as pessoas. Entre eles, vi
homens de tipo norte-americano dando ordens aos soldados. Muito obrigado por
divulgar meu testemunho e que Deus os bendiga”, agradeceu o empresário. |