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México:
Trabalhadores vão às ruas em 6 estados para impedir a liquidação da LyFC por
Calderón
Manifestações de trabalhadores em seis estados mexicanos - Chiapas,
Michoacán, Veracruz, Morelos, Nuevo León e Hidalgo - repudiaram na
segunda-feira dia 12 o decreto do presidente Felipe Calderón, que liquidou a
empresa estatal Luz e Força do Centro (LyFC), que abastece de energia
elétrica a capital e o centro do país. As instalações da empresa foram
ocupadas sem aviso prévio por seis mil agentes da Polícia Federal, em plena
madrugada, na Cidade do México. No domingo, dezenas de milhares tomaram o
centro da capital contra o fechamento da estatal do setor elétrico, em
manifestação apoiada pelos partidos PRD, PT, grande parte do PRI, pelos
estudantes e pela União de Juristas do México.
Com o país afundando, em decorrência do atrelamento do México à crise nos
EUA, Calderón resolveu mostrar serviço aos bancos credores e ao FMI e a
pretexto de um “ajuste”, decretou a liquidação da Luz e Força. Outra estatal
do setor elétrico, a Comissão Federal de Energia (CFE), recebeu a
incumbência de substituir temporariamente os serviços prestados pela LyFC e
os trabalhadores estão sendo pressionados para que aceitem abrir mão de seus
direitos para recontratação de uma parte através da CFE. A deferência de
Calderón poderá até mesmo causar apagão na capital mexicana, mas neoliberal
insiste na aventura, acusando a estatal de “ineficiência”, “custos
exorbitantes” e de “trabalhadores em excesso”, dos quais 20 mil aposentados.
O secretário-geral do Sindicato Mexicano dos Eletricistas (SME), Martin
Esparza, denunciou que grandes empresas privadas, como jornais, hotéis e
escritórios da privatizada Telmex, e ainda órgãos federais, inclusive a
Presidência da República, têm feito ligações diretas e nada pagam pela
eletricidade. Na manifestação de domingo, ele relatou também que “70% do
consumo de eletricidade corresponde a 46 mil grandes indústrias, que pagam
em média 46 centavos por kilo-watt hora, enquanto os usuários domésticos
pagam a US$ 1,50. E no final do ano, esse recibo de luz dos industriais é
dedutível do Imposto de Renda”. Ele advertiu, ainda, que a Luz e Força tem
1.000 km de fibra ótica, que são cobiçados por mamutes das telecomunicações.
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