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ONU admite que fraude foi
geral no Afeganistão
A Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu no último domingo, dia 11, a
existência de uma “fraude generalizada”, que “afetou por inteiro o processo
eleitoral” nas eleições presidenciais no Afeganistão, realizadas em 20 de
agosto, das quais o capacho Hamid Karzai se declarou “eleito”. Em entrevista
coletiva em Cabul, o chefe da missão da ONU no Afeganistão, Kai Eide, disse que
o “alcance da fraude” estava sendo analisado agora, e que não dava para saber
“qual o nível”. “Só posso dizer que foi uma fraude generalizada”, admitiu. Na
entrevista, ele estava acompanhado pelos embaixadores norte-americano, inglês,
alemão e francês no Afeganistão, o que ele considerou uma “prova de apoio
internacional” ao seu trabalho e, quiçá, de estima e consideração.
Ele reconheceu que o processo eleitoral – perdão, a farsa sob ocupação - foi
“difícil, com muitos problemas” e observou que as irregularidades foram
registradas em todo o território do Afeganistão, “mas principalmente no sul e no
leste do país”, onde Karzai obteve uma maior quantidade de votos. (Justo as
áreas onde quem manda é a guerrilha).
Haja modéstia: nas últimas contas das equipes de fiscalização da União Européia,
há pelo menos 1,5 milhão de votos fraudados - dos quais, 1.1 milhão pro-Karzai e
300 mil para Abdullah (o que deve ser só uma fração da operação entope-urna). O
Karzai fraudou votos, o irmão do Karzai que chefia o tráfico de heroína também,
os ministros deram uma mãozinha, os marines deram proteção. Mas, felizmente,
Eide está “comprometido” com o processo eleitoral no Afeganistão e determinado a
“instalar a democracia” no país.
Ele aproveitou a entrevista para negar que tenha encoberto as fraudes,
respondendo assim às acusações do norte-americano Peter Galbraith, que foi
afastado de suas funções no Afeganistão após as denúncias. Cerca de 30% dos
votos destinados a Karzai foram fraudulentos, afirmou o diplomata Peter
Galbraith.
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