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Aepet: Petrobrás deve ser a única exploradora
do pré-sal
“Não há gargalo tecnológico que a Petrobrás não possa vencer e que as outras
empresas podem. Isso é falácia”, afirma Fernando Siqueira
O presidente da Associação dos Engenheiros
da Petrobrás (Aepet), Fernando Siqueira, defendeu o fim dos leilões de blocos
petrolíferos durante audiência pública promovida pela comissão especial da
Câmara que analisa o projeto de criação da Petro-sal (PL 5939). “Não há nenhuma
razão para se continuar com os leilões. A Petrobrás não tem complicação
financeira alguma, não tem gargalo tecnológico”, disse.
Para o presidente da Aepet, a Petrobrás
deve ser a única exploradora do pré-sal, que é a forma de garantir que o “povo
brasileiro seja o verdadeiro dono da riqueza”.
Avaliando que os quatro projetos enviados pelo governo ao Congresso Nacional
representam um avanço, Siqueira, no entanto, se posicionou contrário à criação
da Petro-sal. Segundo ele, a criação da estatal serviria apenas para gerenciar
leilões.
“Os projetos representam avanços na medida
em que preveem mudança do contrato de concessão para partilha, que colocam a
Petrobrás como a única operadora de todos os blocos”, afirmou o presidente da
Aepet.
Siqueira rebateu as argumentações do
presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo Gás e Biocombustíveis (IBP), João
Carlos de Luca, de que a Petrobrás não teria competência tecnológica para
explorar sozinha o pré-sal e que a presença das multinacionais contribuiria para
o aperfeiçoamento tecnológico. “A Petrobrás está na vanguarda em relação a
outras empresas petrolíferas, sabendo otimizar e adaptar materiais para a
exploração dessa nova fronteira energética”, frisou. Segundo ele, “a vantagem é
que a Petrobrás tem e é ela que sabe como usar essas tecnologias. Não há gargalo
tecnológico que a Petrobrás não possa vencer e que as outras empresas podem.
Isso é falácia”, observou Siqueira, destacando ainda o “pioneirismo da Petrobrás
na exploração de petróleo em águas profundas e o desenvolvimento atual de
tecnologias para vencer as baixíssimas temperaturas nas camadas mais profundas
das áreas de explorações”.
Fernando Siqueira enfatizou que as
desinformações sobre o papel da Petrobrás, bem como a suposta falta de recursos
para a exploração do pré-sal, fazem parte de uma campanha para beneficiar as
multinacionais, as chamadas big oil. “O petróleo é autofinanciável, quem o tem,
tem crédito”, ressaltou.
O IBP representa os interesses das
multinacionais que operam no setor de exploração no Brasil. Através de
parlamentares da oposição, fez várias emendas aos projetos do pré-sal para
manter os leilões e impedir que a Petrobrás seja a única exploradora do pré-sal.
O engenheiro também defendeu um alto índice
de nacionalização para a compra de equipamentos de toda a cadeia produtiva do
pré-sal, para garantir a geração de 750 mil empregos diretos e indiretos.
“Estamos na eminência de um choque de
demanda. Somando as produções de todos os países, nós estamos chegando ao pico
dessa produção e depois disso temos uma queda muito forte. Se a demanda mundial
ficar estabilizada, significa que, mesmo assim, a luta pelo petróleo vai
recrudescer muito. Com a descoberta do pré-sal o Brasil ficou em uma situação
muito privilegiada. Abrir mão do controle disso é um erro de estratégia
incomensurável”, enfatizou o presidente da Aepet.
Na avaliação de Siqueira, outro avanço dos
projetos é a criação do fundo social, que “além de ser uma poupança para o
futuro ajudará a resolver muitos problemas internos atuais do Brasil”.
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