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Provedores de internet apoiam Plano
Nacional de Banda Larga contra os preços extorsivos das teles
O presidente da Associação
Brasileira de Provedores de Internet (Abranet), Eduardo Parajo, declarou que
o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) é a oportunidade das empresas de
Internet obterem acesso à rede para fornecer um serviço razoável ao usuário.
Atualmente essas empresas estão pagando preços extorsivos às teles para
fazer a ligação entre a rede, sob controle dos monopólios de
telecomunicações, e os seus clientes.
Pelo ante-projeto do PNBL
apresentado ao presidente Lula no dia 15 de setembro, a “última milha” (a
ligação entre a sede do município, onde chegará a rede pública de fibras
óticas, e a casa de cada cidadão) será feita por empresas privadas. As
linhas gerais do PNBL foram expostas nessa reunião pelo secretário de
Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério
Santanna.
O presidente da Abranet
relatou que, hoje, as empresas estão bloqueadas pelas operadoras (Telefónica,
BrOi e outras de menor importância – a Embratel não foi autorizada pela
Anatel a oferecer acesso aos provedores de Internet dentro das cidades).
Em resumo: a Anatel (decisão de 09/06/2006 sobre a EILD -
Exploração Industrial de Linha Dedicada) estabeleceu limites de preço para
que as teles cobrem das empresas provedoras o acesso à rede somente até a
velocidade de transmissão de 2 Mbit/s. Acima dessa velocidade não existe
limite de preço. No entanto, disse Parajo, as empresas, para suprir a
procura dos usuários, necessitam hoje de bandas de 100 Mbit/s. A Telefónica
e a BrOi ou não fornecem bandas com essa capacidade ou estabelecem preços
inacessíveis para os provedores. “Somos obrigados a procurar as redes das
operadoras concorrentes, mas os preços também são muito altos”, disse o
presidente da Abranet.
A tendência das empresas
provedoras, relata Parajo, é recorrer a tecnologias sem-fio: “Enquanto as
operadoras tradicionais cobram mais de R$ 10 mil/mês por 100 Mbps, podemos
comprar rádios sem-fio a R$ 3 mil/mês pelo cartão BNDES, que tem juros de
apenas 1%”. No entanto, diz o presidente da Abranet, o melhor seria que as
redes fossem abertas para os demais prestadores de serviços.
Com o PNBL, que aproveitará a malha
de fibra ótica das estatais, as empresas provedoras poderão ter acesso à
rede, deixando de ser vítimas da obstrução – ou da exploração - de
monopólios como a Telefónica e a BrOi, para fornecer Internet via banda
larga aos cidadãos. Além de viabilizar a existência dessas empresas
privadas, constantemente ameaçadas pelos monopólios dos quais dependem para
conectar seus clientes à Internet, o PNBL será um incentivo à proliferação
de outras empresas privadas.
MONOPÓLIOS
Portanto, é uma fraude o
único argumento do ataque das teles ao PNBL (e, especialmente, ao engenheiro
Rogério Santanna, que coordena sua finalização): o de que o plano exclui
empresas privadas.
Naturalmente, as teles não
podem dizer a razão real pela qual são contra o plano: o fato dele quebrar o
seu monopólio nas redes de Internet, monopólio que redundou em desastres
como o da Telefónica, no encarecimento avassalador dos preços, na
concentração da banda larga numa faixa estreita da população – e, além das
panes, numa banda larga que tem a velocidade de um cágado eletrônico.
É apenas isso o que se
esconde nessa falsificação de que o PNBL “exclui as empresas”. Pelo
contrário, o que exclui a maioria, aliás, quase todas as empresas privadas,
é permitir que monopólios continuem mandando e desmandando na banda larga.
Até por definição, monopólios excluem as outras empresas, quebram-nas,
acabam com a concorrência - e não fazem isso porque sejam eficientes (vide
Telefónica), mas porque são o equivalente empresarial de uma quadrilha
(vide, outra vez, a Telefónica, recordista absoluta de punições na Europa,
por lesar clientes e sabotar outras empresas).
A questão consiste em que é
impossível universalizar a banda larga entregando essa tarefa aos
monopólios, porque eles não têm o menor interesse em universalizar seja lá o
que for – nem mesmo a telefonia fixa, essa moderna inovação tecnológica do
ano de 1876, que até hoje eles não universalizaram.
Na quarta-feira, as teles e
as multinacionais de equipamentos de telecomunicações, muito preocupadas com
o povo sem acesso à Internet, promoveram um seminário. Chegaram à conclusão
de que, para “universalizar” a banda larga, querem dinheiro do governo para
“incentivar investimentos”, liberação do espectro eletromagnético para que
possam dividi-lo entre si, redução dos impostos, mudança nas legislações
estaduais e municipais de direito de passagem (ou seja, gratuidade no uso
das vias públicas, por exemplo, para a instalação de cabos) e que o governo
entregue a eles os 6 ou 7 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações (Fust) para “subsidiar oferta em locais de baixo
interesse econômico”.
É assim que, segundo um
capadócio da imprensa, o governo irá poupar dinheiro se entregar para as
teles a universalização da banda larga...
Na terça-feira, o presidente
Lula disse que os membros do governo deviam “baixar a bola” na discussão
pública do plano. Evidentemente, era o que o presidente tinha de fazer,
depois que um assessor da Casa Civil, um certo Barbosa – sobre o qual correm
rumores de que é auto-pretendente a conselheiro da Anatel – atacou o PNBL,
repetindo a ladainha falsária das teles sobre a “exclusão das empresas”, e,
em seguida, após reunião com os presidentes delas, o ministro Hélio Costa
prestou-se ao mesmo papel.
Deixando de lado o cinismo – eles sabem que o
PNBL contempla a iniciativa privada –, é constrangedor ver detentores de
cargos públicos se rebaixando a lobistas.
No mesmo dia do seminário dos
monopólios, saiu a campo Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez,
uma das controladoras da BrOi. Azevedo é aquele tipo de executivo que está
numa fase anterior da evolução da espécie, ou talvez tenha evoluído
diretamente dos neanderthais: mais crasso que o Brutus, rival do Popeye. Diz
ele: “o melhor modelo para um Plano Nacional de Banda Larga é o que já
existe”. Papagaio! E ninguém tinha reparado que para resolver o problema
bastava continuar na mesma porcaria. Sobre a rede pública: “essa opção eu
não considero. Quem falou nisso?”. Mais: “a Telebrás é uma empresa que
deveria estar extinta, foi uma decisão do país acabar com ela”.
De que país? Quem decidiu isso? Deve ter
sido ele – que é o país. Os irmãos Andrade e o Flávio Gutierrez que se
preparem. Daqui a pouco o Azevedo vai achar que a Andrade Gutierrez é ele.
CARLOS LOPES
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