Brasil tem maior inundação de Investimento Direto Estrangeiro em
relação ao PIB nos BRICs
O afluxo de Investimento Direto Estrangeiro
(IDE), dinheiro que entra para comprar empresas públicas e privadas
nacionais, cresceu de forma significativa no país, evidenciando não só uma
brutal desnacionalização como também a exposição da economia brasileira à
ação deletéria dos monopólios externos. Assim é que o estoque de IDE (US$
288 bilhões) no Brasil corresponde a 18% do Produto Interno Bruto (PIB).
Proporcionalmente, bem superior ao estoque da China, que apresenta uma
equivalência de 9% do PIB. Os outros países que junto com Brasil e China
compõem os Brics também apresentam taxas menores na relação com o PIB:
Rússia com 13% e Índia, 10%.
O IDE se transformou na principal fonte de
espoliação do país. Quanto maior o IDE, maiores são as remessas de lucros
(declaradas ou disfarçadas) das empresas que foram desnacionalizadas. Uma
das conseqüências do ingresso maciço de IDE, ao lado da diminuição do saldo
da balança comercial, tem sido o déficit nas contas externas (transações
correntes). O próprio Banco Central projeta para 2010 um déficit em conta
corrente de quase 2% do PIB. Portanto, achar que se vai cobrir o rombo das
contas externas com mais ingresso de IDE não passa de um devaneio. Trata-se,
na verdade, de apagar o fogo com gasolina.
Aliás, a compra de empresas em dificuldades para
posterior venda com lucros astronômicos tem sido, ultimamente, uma das
formas de maior ganho do capital financeiro, diminuindo a fronteira entre o
IDE propriamente dito e o ingresso de capital estrangeiro para portfólio
(aplicação em ações e títulos públicos).
Na comparação com os demais países dos Brics, os
países com menor proporção de IDE em relação ao PIB - isto é, com um grau de
desnacionalização menor do que o Brasil - precisamente China e Índia, uma
constatação: não sofreram as consequências da crise, iniciada nos EUA e que
se espalhou pelo mundo afora. O que nos permite dizer que ficar pendurado
nos monopólios não é o melhor caminho. Até porque, falando em crise,
enquanto a China, nesse período, investiu recursos públicos em obras de
infraestrutura, como a ampliação da malha ferroviária, o BNDES seguiu
direcionando os recursos preferencialmente para as multinacionais e aos
candidatos a monopólios internos, os responsáveis pela contaminação da
economia brasileira pela crise externa, com as demissões e redução de
salários, ao lado dos juros altos do Banco Central.
Enfim, um alto estoque de capital estrangeiro em
relação ao PIB é sinônimo de profunda dependência aos monopólios externos.
Portanto, não é caminho para o desenvolvimento. Reverter esse quadro é o que
se apresenta.
V.A.