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Aula pública denuncia o fechamento de escolas rurais pelo governo Yeda
Centenas de crianças que frequentavam as escolas itinerantes do Movimento dos
Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul estão sem estudar desde o começo do ano. Na
perseguição ao movimento, o governo de Yeda Crusius (PSDB) não só fechou as
escolas que funcionavam nos assentamentos, como descumpriu o Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) que assinou com o Ministério Público Estadual (MPE)
em que se comprometia a disponibilizar o transporte das crianças até as escolas
regulares.
Na terça-feira (13), cerca de 400 crianças assistiram a uma Aula Pública em
frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande, em protesto contra o
fechamento das escolas, que funcionam no Estado há mais de dez anos.
Segundo a educadora do assentamento Conquista do Caibaté, Jane Fontoura, o
objetivo da governadora do RS, Yeda Crusius (PSDB), em jogar as Escolas
Itinerantes na ilegalidade é desmobilizar o movimento.
“A escola itinerante caminha conosco em todas as mobilizações, ocupações,
marchas, independente de estrutura de alvenaria ou de lona. Acreditamos que
qualquer espaço é local de produção de conhecimento, seja na beira de uma
[rodovia] BR, seja na ocupação de alguma fazenda, seja nos acampamentos, porque
o Movimento Sem Terra é um movimento de família, de homens, mulheres e de
crianças”, disse Jane.
Jane conta que, apesar da ilegalidade, alguns assentamentos continuam as
atividades pedagógicas e as aulas.
A educadora Ana Maria Araújo Freire, conhecida como Nita Freire, viúva do
renomado pedagogo brasileiro Paulo Freire, também participou da aula pública.
Nita rechaçou a ação “inconstitucional e vil” do governo de Yeda e de parte da
Justiça de impedir que as crianças acampadas tenham o direito de estudar nas
Escolas Itinerantes.
“Fechar escolas com desculpas disso ou daquilo é ressucitar o Estado
escravocrata brasileiro, quando o trabalhador só tinha o direito de trabalhar.
Eu nunca tinha ouvido falar, nunca constatei uma coisa dessas, que um Estado,
para massacrar os pais, seja capaz de impingir às crianças a marginalização”,
disse Nita Freire. |