|
Fechamento da
FyLC multiplica os apagões em 4 estados mexicanos
Na Cidade do
México, região mais povoada e industrializada do país, milhões de pessoas
ficaram sem energia elétrica por até 16 horas
Vários bairros
da enorme Cidade do México – Distrito Federal, e dos estados de México,
Puebla, Hidalgo, e Morelos sofreram frequentes e sucessivos apagões desde a
liquidação da empresa de energia elétrica Luz e Força do Centro, LyFC,
revoltando a população e provocando sérios prejuízos materiais na região
mais povoada e industrializada do país.
Através de um
decreto, na madrugada do último domingo, o presidente Felipe Calderón
liquidou a empresa estatal LyFC, ocupando suas instalações por seis mil
agentes da Polícia Federal.
A tresloucada
medida se dá num quadro de aguçamento da crise, resultado das relações de
submissão e estreita dependência da economia estadunidense, que derrubou o
PIB mexicano em 9,2% no primeiro semestre de 2009. Na segunda semana de
setembro, o governo anunciou cortes de gastos públicos e o aumento de 2% no
Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que passaria de 15% para 17%.
Para completar,
afirmou Martín Esparza, secretário-geral do Sindicato Mexicano dos
Eletricitários (SME), “o pessoal que colocaram para manter o funcionamento
do serviço carece de capacitação. Nossos técnicos já tinham advertido do
perigo de colapso do fornecimento, porque a empresa liquidada e a Comissão
Federal de Eletricidade (CFE), que a substitui, operam com códigos e
equipamentos distintos”.
O jornal La
Jornada informou que essa situação se agravou pelas fortes chuvas que
ocorreram, multiplicando os problemas criados pela falta de manutenção e de
equipamentos. As falhas no fornecimento provocaram numerosos protestos dos
clientes da empresa, que o governo tenta liquidar nos referidos Estados,
diante do agravamento da crise.
O jornal El
Universal detalhou que na capital do país a falta de energia afetou, entre
outros, os bairros Roma, Condesa e Doctores, além das regiões de Coyoacán,
Nápoles, Mixcoac e Lomas de Chapultepec. Nesses bairros, a Prefeitura da
Cidade do México informou que 80% das moradias ficou sem energia elétrica
durante 16 horas.
As autoridades
municipais nos estados atingidos também informaram ao El Universal apagões
que afetaram milhares de pessoas, tanto em áreas urbanas como rurais.
“A justificativa
do governo para o fechamento da LyFC não tem nada a ver com a realidade.
Calderón disse que os problemas financeiros e a ineficiência levaram a
decretar o fechamento da empresa, colocando assim a culpa nos
trabalhadores”, afirmou o dirigente sindical Fernando Amezcua, mostrando que
implementou-se nos últimos anos uma política de subsidiar as grandes
empresas, principalmente as multinacionais como a Telmex e a Televisa, de
telecomunicações, cobrando “em media 46 centavos de dólar por kilowatt hora,
enquanto os usuários domésticos pagam US$ 1,5. E no final do ano, ainda,
esse recibo de luz dos empresários é dedutível do imposto de renda”.
“Não vamos
aceitar que se empurre a crise para cima dos trabalhadores. É a dependência
da economia mexicana das transnacionais norte-americanas que transfere a
crise para o país”, disse o líder da oposição Andrés López Obrador,
declarando o apoio à manifestação convocada para quinta-feira, dia 15.
“A intervenção
do governo usurpador na companhia de Luz e Força do Centro é outra
barbaridade desta administração. Em que cabeça cabe deixar na rua, de uma só
canetada, 43 mil trabalhadores, e na insegurança 10 mil aposentados em
épocas de crise tão difícil para o povo, quando há mais desemprego, arrocho
e dependência no país”, ressaltou.
Javier Lozano,
secretário do Trabalho e Previdência Social, colocou em marcha na
quarta-feira, dia 14, o processo de demissão voluntária dos milhares de
funcionários da LyFC, para o que estabeleceu 20 centros de “indenização”.
Eles ficaram praticamente vazios o dia inteiro, freqüentados apenas por
trabalhadores indignados que organizaram atos de repúdio à iniciativa.
SUSANA SANTOS |