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Oásis da especulação, Dubai em queda livre
Transformado em oásis da especulação imobiliária, zona franca e
paraíso fiscal, Dubai está em queda livre há alguns meses e, segundo a agência
de classificação de riscos Standard & Poor’s, não tem dinheiro em caixa para
cobrir débitos que chegam a US$ 80 bilhões, e nas contas da S&P possivelmente
sequer tem US$ 3,5 bilhões que vencem em dezembro. US$ 50 bilhões irão vencer
nos próximos três anos. Atualmente as receitas do petróleo constituem apenas 6%
dos ingressos do país.
Dubai é um dos sete enclaves que constituem os Emirados Árabes
Unidos, e que passaram a ser um imã para especuladores desde que, com a primeira
guerra contra o Iraque, nos anos 90, os EUA instalaram uma base na região,
tornando-a um centro de sua atuação no Oriente Médio. Como registrou a
“Associated Press”, o “formidável desenvolvimento” de Dubai foi “alimentado por
dinheiro emprestado e pelo excesso de caixa dos lucros do petróleo do Golfo
Pérsico”. Agora, destacou a AP, foi-se o tempo dos “maiores arranha-céus do
mundo, dos canais no deserto e ilhas artificiais no mar”, aliás, ilhas com
formato do mapa-múndi e palmeira e outras excentricidades – escolhas do reizinho
de Dubai, o sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum, quanto ao futuro da
cidade.
CONLUIO
Não se trata que as “advertências” da S&P mereçam muita
credibilidade já que, como as demais agências de “classificação de risco”,
acabaram flagradas maquiando em massa falsos títulos triplo-A, em conluio com
bancos, fundos de hedge e seguradoras, que foram o estopim da atual crise
financeira mundial. Mas a questão é que não há como abafar a crise que atinge
Dubai. O sheik obteve um empréstimo de emergência de US$ 10 bilhões, dos quais,
segundo a mídia dos EUA, só restariam US$ 4 bilhões para cobrir débitos muito
maiores. Foi adiada a construção de uma torre com um quilômetro de altura, que
traria de volta a Dubai o troféu de mais alto prédio do mundo. Uma das fontes de
problemas, o fundo de investimentos Istithmar, do conglomerado “Dubai World”,
teve de congelar suas atividades e já demitiu 20% do seu quadro funcional. Entre
os investimentos que deram com os burros n’água, hotéis de luxo e lojas de
departamento nos EUA, transatlânticos e outras inutilidades.
Segundo o “New York Times”, “mais de 3 mil carros estão parados
no estacionamento do aeroporto de Dubai, abandonados por estrangeiros que
fugiram endividados (e que de fato podem ser presos se não pagarem suas contas).
Alguns teriam deixado seus cartões de crédito com limites estourados dentro dos
veículos e bilhetes de desculpas fixados nos pára-brisas”. O mesmo artigo
assinalou que no mês passado 1500 vistos de trabalho foram cancelados por dia.
“Questionado em relação ao número, Humaid Bin Dimas, assessor do Ministério do
Trabalho de Dubai, disse que não confirmaria nem negaria a informação, e
recusou-se a dizer mais que isso. Alguns dizem que o número real é bem mais
alto”. Grande parte da população de Dubai é de trabalhadores imigrantes.
A.P. |