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Casa Branca decide
enfrentar as mentiras da rede de TV Fox
“Quando o presidente
fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita”, afirma
Anita Dunn, diretora de comunicação da Casa Branca. Ele já sabe que “estará
como num debate com o partido da oposição. É um braço dos republicanos”
ACasa Branca anunciou que passou a tratar a rede de TV Fox como um apêndice
partidário dos republicanos e não como uma organização jornalística. “A rede
Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos
fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá
legitimidade ao trabalho jornalístico”, afirmou Anita Dunn, diretora de
comunicação, em declaração ao “New York Times”.
Em entrevista à CNN, Dunn afirmou que Obama considera agora a rede Fox como
opositor e não propriamente um órgão jornalístico. “Quando o presidente fala
à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita” – ela explicou.
– “O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da
oposição”. Ela acrescentou que a Fox “opera, praticamente, ou como o setor
de pesquisas ou como o setor de comunicação do Partido Republicano”.
MONOPÓLIO DE MÍDIA
Como se sabe, meia dúzia de famílias controlam os principais meios de
comunicação, com estreita ligação com bancos e outros monopólios, e a mídia
tem sido o instrumento chave de dominação. As denúncias da diretora de
comunicações de Obama poderiam, perfeitamente, serem expostas, por exemplo,
pelo presidente Chávez na Venezuela, ou por Lula aqui no Brasil. Quanto aos
EUA, nos últimos meses, os episódios de desinformação, manipulação e mais do
que isso, propagação de mentiras descaradas, se avolumaram, até o ponto de o
governo Obama rever relações e decidir, como dito à revista “Time”, “partir
para cima deles”. Agora, o blog da Casa Branca expõe, como fez recentemente,
as “mentiras da Fox”.
Embora o governo Obama esteja concentrando o fogo na Fox, não foi só essa
rede que falseou, mentiu e buscou incitar o ódio nos EUA. Como registrou
matéria da revista “Time”, o alerta soou na Casa Branca em setembro, quando
o “New York Times”, no conhecido episódio do discurso de Obama às crianças
em idade escolar, “publicou em primeira página a indignação dos pais” –
sendo que o discurso ainda não tinha sido proferido e seu conteúdo benigno
tornado público. Na expressão do secretário de imprensa Robert Gibbs, foi
nesse momento que foi preciso dizer “espera um minuto, isso está virando um
circo”.
O vice-diretor de comunicação, Dan Pfeiffer, denunciou como os comentários
mais canalhas a respeito da reforma de saúde eram apresentados na mídia dos
EUA “encobertos como ‘controvérsias’”. “Quando se debate se se trata ou não
de assassinar velhinhas e criancinhas doentes” – ele afirmou – “não se
aplicam as regras normais do jornalismo: é preciso ser a favor de não
assassinar ninguém. É preciso ter lado e a opinião do ‘outro lado’
absolutamente não interessa”.
FALSIFICAÇÕES
Outra mentira nojenta divulgada pela mídia era que a reforma da saúde
levaria à criação de “clinicas de sexo” nas escolas. Em suma, a mídia agia
abertamente, para nocautear Obama e impedir qualquer mudança, por menor que
fosse. Se os episódios mais escandalosos surgiram a partir da reforma de
saúde, há, no entanto, muito mais em jogo, como a regulação ou não sobre os
bancos, recursos para empregos e infra-estrutura ou para o bailout,
desemprego gigantesco e duas guerras.
Sob o comando de Anita Dunn, como registrou a “Time”, “emergiu a nova
estratégia da Casa Branca”: ao invés de “dar munição aos críticos” através
de bem-intencionada exposição de fatos que depois os jornais desvirtuariam
como supostas ‘prova’ contra o Obama, o governo partiu para o contra-ataque
aos futriqueiros e politiqueiros e suas distorções e falsidades. “Temos de
ser mais agressivos que apenas sentar e ficar nos defendendo, porque eles
vão dizer qualquer coisa. Eles vão pegar qualquer coisa pequena e
distorcê-la”, assinalou a diretora de comunicação de Obama.
Na volta das férias, o presidente saudou a iniciativa, e convocou os
auxiliares para “partir para cima deles”. Nada de muita conversa. “A melhor
analogia é provavelmente o base-ball”, resumiu Gibbs. “O único modo de
arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem.”
ANTONIO PIMENTA
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