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Solidariedade é maior do que ação criminosa
da Abril
LUIS NASSIF
Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que
sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz
Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário
Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara –
fui absolvido.
Pode haver apelação nas duas sentenças.
Ao longo dessa longa noite dos celerados, a
Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia
organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas
para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade.
Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha
vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do
Orkut.
Não me intimidaram.
Apelaram então para a indústria das ações
judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de
imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome
da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob
silêncio total da mídia.
Não vou entrar no mérito da sentença do juiz,
nem no valor estipulado.
Mas no final do ano fui procurado por um
emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações
em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito
de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não
aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.
Podem vencer na Justiça graças ao poder
financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações
que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além
dos custos de defesa contra as outras quatro.
Mas no campo jornalístico perderam para um Blog
e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer
conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram
pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade
colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que
uniu minhas filhas em defesa do pai.
PS – Como o processo continua, vou bloquear
comentários no post, que eventualmente poderia ser utilizados pela parte
contrária.
Reproduzido do blog de Nassif sob o título
original A Abril consegue a primeira condenação.
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