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Neotec entra na Justiça contra proposta
da Anatel que favorece oligopólio
A Neotec, associação que reúne operadoras de TV
paga que usam o sistema MMDS (micro-ondas), recorreu à justiça na
sexta-feira (16) par anular a consulta pública nº 31 da Anatel, encerrada
nessa data, sobre a destinação do espectro de 2,5 GHz. A proposta do
Conselho Diretor da agência, aprovada no dia 30 de julho deste ano, prevê a
transferência de 140 MHz dos 190 MHz, hoje destinados ao MMDS, à telefonia
móvel a partir de 2016. Assim, se aprovada a proposta, as empresas que
utilizam a tecnologia de micro-ondas ficarão apenas com 50 MHz.
Na ação protocolada na Justiça, a entidade
observou a inexistência da ata da reunião que aprovou a proposta; a
diferença do conteúdo da análise do conselheiro da Anatel João Rezende
publicado na internet e o que foi incluído no processo; e falta do estudo
técnico. “Já que há irregularidades, o melhor é anular esse processo”,
afirmou o presidente da Neotec, Carlos André Albuquerque. “A falta da ata
que, pelo regulamento da agência, deve legitimar as decisões do Conselho
Diretor também põe em dúvida a legalidade do processo”.
Não foi a primeira vez que a Neotec ingressou na
justiça. Em setembro, obteve uma liminar no Mandado de Segurança Coletivo
contra a demora de disponibilização dos processos que embasaram a proposta
de consulta pública da destinação da faixa de 2,5 GHz, bem como para que
fosse ampliado o prazo de consulta pública da proposta em mais 44 dias,
encerrado à meia-noite do dia 16.
Para Albuquerque, “essa proposta é a morte
anunciada das operadoras de MMDS”. Ele argumentou que 50 MHz só dão para
oferecer uma programação de 30 canais em alta definição ou 50 canais em
qualidade inferior, bem menor que os cerca de 100 canais da concorrência,
além da impossibilidade de oferecer serviços de banda larga no mesmo espaço.
“Queremos ser mais uma opção para a competição nos serviços de banda larga.
A medida da Anatel é anticoncorrencial e favorece o oligopólio [das empresas
de telefonia celular]”, frisou.
“O que elas [operadoras de telefonia móvel]
querem é fazer banda larga e nós também queremos”, disse Albuquerque.
A Neotec solicitou acesso ao processo que
resultou na consulta pública nº 31, mas teve o pedido negado pela Anatel. A
proposta não obteve consenso no Conselho Diretor e levou mais de cinco meses
para ser aprovada, persistindo a dúvida se há mesmo um estudo técnico que
respalde a decisão.
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