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Polícias Militar e Civil vão continuar enfrentando tráfico, assegura Cabral
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que a polícia vai
continuar na linha de combate aos bandidos que aterrorizaram comunidades da Zona
Norte da Capital fluminense, desde a madrugada de sábado (17), mas disse que não
será a curto prazo que a situação poderá ser resolvida.
Na segunda-feira (19), a Secretaria de Segurança informou que 20 pessoas haviam
morrido no confronto entre traficantes do Morro São João e do Morro dos Macacos,
em Vila Isabel, incluindo três policiais militares que se encontravam em um
helicóptero que explodiu, depois de ser atingido por tiros enquanto sobrevoava o
morro.
“Já tomamos as medidas necessárias para reagir a esse tipo de organização
criminosa, que eu venho dizendo, desde o início do nosso governo, que não é
brincadeira, que nós temos que efetivamente ter uma permanente luta de combate
ao crime organizado. Nós vamos continuar nessa linha de enfrentamento a esse
tipo de situação que infelizmente o Rio de Janeiro ainda vive”, afirmou o
governador, lamentando a morte dos policiais.
Sérgio Cabral anunciou, na manhã de segunda-feira, que o governo federal
disponibilizou um helicóptero para repor o que foi danificado e R$ 100 milhões
em investimentos para a área de segurança pública. No mesmo dia, durante a
recepção ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, em São Paulo, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse que é preciso “perseguir e encontrar quem praticou
esse ato de violência”.
“Tudo que o governador precisar, estaremos dispostos a fazer todo o sacrifício
que for necessário”, afirmou Lula.
Dezenas de jornais do mundo inteiro reproduziram imagens da guerra entre facções
rivais. A imprensa relacionou a cobertura ao fato de o Rio ter sido escolhido
para sediar as Olimpíadas de 2016.
“Hoje, parece que todo mundo - do prefeito aos ministros - combinou o mesmo
discurso: a violência é o maior desafio da cidade para a Olimpíada de 2016”,
comentou o deputado federal Brizola Neto (PDT/RJ), em nota publicada no seu
blog.
“Não, não é. O maior desafio é nos tornarmos uma cidade mais justa, mais humana,
com serviços públicos - inclusive os policiais - mais humanos e eficientes, mais
bem planejados e mais interessados em resultados práticos do que em proporcionar
espetáculos, quase sempre trágicos. Histeria só nos levará a errar ainda mais”,
argumentou.
A informação inicialmente divulgada foi que, dos 20 mortos no confronto, 17 eram
das facções criminosas. Mas, a polícia ainda está investigando se três dos
rapazes que morreram no sábado são inocentes. Parentes das vítimas afirmaram que
eles trabalhavam como pedreiro, mecânico e auxiliar administrativo e voltavam de
uma festa na hora da invasão. Testemunhas disseram que o carro deles foi
metralhado por criminosos.
Segundo a Polícia Militar, depois do final de semana violento a situação é
tranquila nos acessos e nas comunidades do Morro dos Macacos e do Morro São
João, que fica no Engenho Novo. Cerca de 2 mil homens estão de prontidão na
capital e mais 2 mil estão espalhados na Baixada Fluminense, Zona Oeste do Rio e
na região de Niterói. |