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Petroleiros iniciam mobilização nacional por
aumento de salário
Categoria reivindica 10% de aumento real
Os petroleiros, em negociação com a Petrobrás
sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, iniciaram
mobilização nacional em defesa de aumento real
de salário e melhores condições de trabalho.
A reivindicação dos trabalhadores é reajuste de
4,44% mais aumento real de 10% e reposição das
perdas acumuladas desde 1994. Além do aumento, a
categoria também reivindica que a Petrobrás
restabeleça o extraturno (pagamento das horas
extras dos feriados trabalhados). Conforme o
presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP),
João Antonio Moraes, em entrevista ao HP, no
último sábado “ocorreram mobilizações pontuais
com foco no restabelecimento do extraturno,
surrupiado pelo governo Fernando Henrique
Cardoso e que continua sem ser pago”.
O presidente da entidade ressaltou que, caso as
negociações com a Petrobrás não avancem, “no
primeiro sábado após o feriado de 2 de novembro
os protestos serão retomados, pois a categoria
tem respondido positivamente às convocações para
exigir respeito à pauta de reivindicações”.
Na avaliação do sindicalista, o nível de
participação nas últimas manifestações
demonstrou que os trabalhadores estão decididos
a ampliar o movimento e garantir o reajuste: “a
categoria intensificará as mobilizações por um
acordo coletivo que atenda as principais
reivindicações dos trabalhadores. O pagamento
dos feriados trabalhados para os companheiros do
turno é um direito legítimo que foi usurpado
durante o governo tucano. A luta por esta e
outras reivindicações continuará e se
intensificará durante a negociação do acordo
coletivo”.
Os protestos de sábado contaram com a
participação dos trabalhadores de Amazonas,
Bahia, Paraná, Pernambuco, Guararema, Barueri,
São Caetano, Guarulhos, Ceará, Vitória, Duque de
Caxias, Minas Gerais, além das plataformas da
Bacia de Campos (Norte Fluminense) e do Rio
Grande do Norte.
Também liderando os petroleiros em defesa do
aumento salarial, a Frente Nacional dos
Petroleiros (FNP) aprovou estado de greve. De
acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Rio de
Janeiro (Sindipetro-RJ), cerca de 10 mil
trabalhadores aderiram ao movimento, realizando
paralisações nos terminais aquaviários da Baía
de Guanabara e Angra dos Reis, além de São José
dos Campos, Litoral Paulista, Rio Grande do Sul,
Alagoas, Sergipe, Pará, Amazonas, Maranhão e
Amapá. Após as mobilizações, a Petrobrás reabriu
a negociação e marcou reunião para esta
terça-feira (20).
O coordenador da FUP afirmou que, além da
campanha reivindicatória geral, “estamos
mobilizados por uma nova lei do petróleo e é
importante que a direção da Petrobrás leve em
conta que precisamos de outro tipo de relação.
Até para que a categoria esteja mais tranquila a
fim de que possa defender melhor os recursos do
pré-sal e a própria empresa”. “Acreditamos que
as perseguições e o desrespeito com que estamos
sendo tratados, de forma lamentável, se devem ao
fato da Petrobrás ainda não ser 100% estatal e
pública”, acrescentou. A FNP também destacou a
mobilização em defesa do monopólio estatal na
gestão do pré-sal e pelo fim dos leilões.
Na semana passada, a Associação dos Engenheiros
da Petrobrás (AEPET) enviou Carta Aberta aos
petroleiros, apresentando sua análise em torno
do ACT. “Quem constrói a Petrobrás são os seus
profissionais e isto ficou muito claro agora com
a descoberta do Pré-Sal”. “Não é possível
aceitar que os trabalhadores não sejam
recompensados à altura da sua dedicação,
competência e comprometimento com a Companhia”,
afirma o documento. |