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Pressão popular obriga ditadores a publicar suspensão do
estado de sítio
Volta ao ar rádio
fechada por não aderir a golpistas
A ditadura foi forçada a pôr em vigência um decreto que anulou o
estado de sítio, suspendendo as garantias constitucionais, imposto por
Micheletti depois que o presidente Manuel Zelaya voltou a Honduras.
A pressão popular e internacional fez com que os golpistas
anunciassem a suspensão, no dia 5 de outubro, mas o decreto que a efetivava não
foi publicado no diário oficial. A repressão elevou sua truculência: após
banimento de rádio e TV que não aderiram ao golpe, intensificou-se a perseguição
a jornalistas, assassinato e prisão de lideranças sindicais e populares e
agressão policial durante as manifestações diárias por todo o país.
Com a publicação da medida, a Rádio Globo de Tegucigalpa, fechada
no dia 28 de setembro por denunciar a situação que vive o país e apoiar o
presidente legítimo Manuel Zelaya, voltou ao ar no dia 19.
Com a suspensão da liberdade de expressão, os usurpadores haviam
lacrado a Rádio e o Canal 36. Este último continua fora do ar. Outros veículos
de imprensa com sede no interior do país também foram atingidos pelo único
motivo de defenderem a ordem constitucional.
“A Rádio Globo volta ao ar para ser voz e não silêncio. O nosso
povo está na ruas, os organismos internacionais como a ONU e a OEA não admitem
essa fachada de democracia que os golpistas assumem. Vamos ocupar esses espaços
e nos manter nas ruas”, afirmou o presidente Manuel Zelaya.
A Rádio reiniciou suas transmissões, na manhã do dia 19, tocando
o Hino Nacional de Honduras e com as palavras de seu proprietário e gerente,
Alejandro Villatoro, e do jornalista David Romero.
“Hoje é um dia de alegria para o povo porque o sinal voltou ao
ar, mas a nossa luta vai se redobrar. Fomos criativos, nos mantivemos na
internet, não deixamos nos esmagar pelo poder da mídia golpista. Agora vamos
enfrentar o novo decreto que o governo lançou no passado 9 de outubro, com o
intuito de regular os conteúdos dos meios”, sublinhou Villatoro, chamando de
“guilhotina” as medidas para tentar controlar a conduta da emissora.
“Fomos vítimas de agressões, nossos equipamentos, transmissores,
filmadoras e gravadores foram roubados, outros destruídos com material químico
potente. Lançaram bombas de gás lacrimogêneo e submeteram nosso pessoal que
trabalha nas antenas repetidoras a ameaças e riscos físicos”, denunciou o
diretor do Canal 36 de Honduras, Esdrás Amado López, assinalando que “a força do
povo se multiplica a cada dia e vamos conseguir retomar o funcionamento do
canal”.
Nos dias anteriores ao fechamento, no mês passado, a emissora
também se viu ameaçada com fortes e constantes apagões elétricos que provocavam
a saída do ar em diversas oportunidades. |