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Trabalhadores ocupam capital mexicana contra
a demissão de dezenas milhares por Calderón
Mais
de 350 mil pessoas ocuparam o centro da Cidade do México, na quinta-feira,
dia 15, em defesa do emprego dos mais de 40 mil trabalhadores eletricitários
despedidos pelo governo de Felipe Calderón e de seu decreto que extinguiu a
empresa estatal de energia, Luz e Força do Centro, ocupada por mais de 6 mil
policiais no último dia 11.
O líder do Sindicato Mexicano dos
Eletri-citários, Martín Esparza, denunciou que o governo mente quando diz
que os problemas financeiros e a ineficiência são os motivos que produziram
a decisão de fechar a empresa. “A LYFC leva anos com recursos recortados,
sem condição de produzir o que poderia e é necessário para o desenvolvimento
da região. Os eletricitários da empresa ganham um salário nada exorbitante,
mas o governo agracia as multi-nacionais como a Telmex e a Televisa com
contas de luz subsidiadas, muitas delas até gratuitas, e quem paga é o povo,
os trabalhadores mexicanos”, disse Esparza, assinalando que “essa política
de submissão aos Estados Unidos é que levou a economia de nosso país à crise
em que se encontra. Não vai ser fechando as nossas estatais e jogando
milhares de trabalhadores nas ruas do desemprego que vamos melhorar.
Calderón é que tem que se explicar”.
Martín Esparza encabeçou a manifestação,
considerada a maior já convocada pelo movimento sindical no país,
acompanhado pelo deputado do Partido do Trabalho (PT), Porfirio Muñoz Ledo,
e pelo senador do Partido Revolucionário Democrático (PRD), Graco Ramírez.
Trabalhadores da Universidade Nacional
Autônoma do México (UNAM), telefonistas, e comerciários, entre outros, se
somaram à marcha, assim como estudantes do Colégio de Ciências e Humanidades
(CCH). Andrés Manuel López Obrador, líder da oposição ao governo entreguista
de Calderón, e lideranças sociais se somaram à passeata na praça do Zócalo,
a maior da cidade.
Os eletricitários receberam o apoio das
pessoas que passavam pelas ruas e grande número de comércios, bancos e
escolas fecharam suas portas, respaldando a manifestação.
O governo que até então se recusava a
qualquer negociação com os trabalhadores teve que aceitar um encontro com os
dirigentes de SME. “A reunião que realizamos com Marcelo Ebrard,
representante de Calderón, não levou a nada. Nestes dias o SME estará
entrando na Justiça para anular o decreto ilegal que agrediu o patri-mônio
dos mexicanos, extinguindo a LYFC, e o Legislativo também passará a tratar
desse problema”, informou Fer-nando Amezcua, diretor do SME. |