|
Agricultores rebelam-se
contra privilégios de Sarkozy a bancos
O presidente da FNSEA,
Jean-Michael Lémetayer, contestou as afirmações do governo de que não pode
ajudar o setor devido ao deficit orçamentário: “Vocês acreditam que o
governo hesitou em colocar muitos bilhões à disposição dos bancos?”
Dezenas de milhares de agricultores liderados pela FNSEA - Federação
Nacional dos Agricultores - tomaram as ruas por toda a França na
sexta-feira, principalmente na capital Paris, em Toulouse, Dijon, Avignon,
Poittiers e Rouen, exigindo um plano de emergência no qual sejam
imediatamente investidos 400 milhões de euros e que deve totalizar 1 bilhão
e 400 milhões de euros para enfrentar a crise e denunciando os privilégios
concedidos por Sarkozy aos banqueiros, enquanto mantém o setor agrícola no
abandono.
O presidente da FNSEA, Jean-Michael Lémetayer, contestou as afirmações do
governo alegando impossibilidade devido ao deficit orçamentário: “Vocês
acreditam que o governo hesitou em colocar muitos bilhões à disposição dos
bancos?” E acrescenta: “Estamos a ponto de passar o ano de 2009 e
considerá-lo execrável, insuportável”.
O líder dos agricultores declarou que “é preciso sair da lógica de mercado
como princípio absoluto” e que “há que sair desta política ultraliberal
adotada na Europa e mudar fundamentalmente para soluções já apontadas há
anos”, enfatizou Lémetayer.
EMERGÊNCIA
Lémetayer denunciou as condições difíceis que o setor atravessa: “Estamos
numa condição em que batalharmos apenas para pagar nossas contas, e a cada
mês estamos com menos dinheiro”. Para ele, o plano de emergência é
necessário para “apoiar a nossa agricultura e, portanto, os camponeses
franceses”.
Diante do rebaixamento dos preços e queda nas vendas como consequência da
crise econômica, os agricultores informaram que o setor perdeu nos meses de
janeiro a setembro de 2009 cerca de 20% com relação a igual período do ano
passado, o pior resultado em várias décadas. A FNSEA informa ainda que o
grão de trigo está sendo comercializado pelos produtores, em 2009, a um
valor 36% abaixo do praticado em 2008.
“O Estado deve assumir o custo financeiro indispensável para repor a
liquidez do setor. Não reivindicamos mais palavras, mas atenção concreta. O
plano de emergência precisa sair o mais tardar nas próximas semanas”, cobrou
o presidente da FNSEA.
Em cidades como Rouen houve desfile de colunas de tratores e distribuição
dos produtos rurais em frente à famosa catedral da cidade; em Toulouse houve
expressiva participação com manifestantes portando faixas e bandeiras da
organização dos jovens agricultores. Na entrada de cidades como a nortista
Calais e em Moselle houve bloqueio de estradas com tratores. Segundo a FNSEA
mais de cinquenta mil agricultores participaram, colocando nas ruas do país
7.000 tratores e 1.000 animais.
Em Rouen, uma faixa assinada pela federação destacava: a “monsier Sarkozy os
plantadores merecem tanto apreço como os banqueiros e fabricantes de
automóveis”.
As reivindicações dos agricultores, que em setembro realizaram atos onde
distribuíram leite, levaram o ministro da Agricultura, Bruno Le Maire, a
anunciar a liberação de 250 milhões de euros em crédito para o setor.
O representante dos agricultores declarou que este valor é totalmente
insuficiente e que os empréstimos aos agricultores devem atingir uma cifra
quatro vezes maior (1 bi de euros), com o Estado bancando as despesas
financeiras por cinco anos.
O líder dos produtores rurais enfatizou que as grandes empresas do setor
conseguem manter seus preços de venda em crescimento e forçam para baixo os
dos pequenos produtores. Os insumos aumentaram de preço; as mudas de árvores
frutíferas, por exemplo, tiveram aumento de várias vezes.
O orçamento para o setor agrícola no conjunto dos países da União Européia
em 2008 chegou a 45 bilhões de euros mas, segundo a FNSEA, os recursos
beneficiaram principalmente os grandes produtores rurais.
NATHANIEL
BRAIA
|