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Para CNI, decisão do Copom sobre Selic “é
perversa”
O Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central manteve na quarta-feira (21) a Selic em
8,75%. A taxa básica de juros continuou no mesmo patamar da reunião de 22 de
julho, mantendo o Brasil na quarta posição dos países com as maiores taxas
de juros reais do mundo, com 4,3%, descontando-se a inflação projetada para
os próximos 12 meses.
Segundo levantamento da
consultoria UpTrend, a taxa média real de juros das 40 maiores economias é
de 1,1%. Estão abaixo dessa média, países como Inglaterra (-0,6%) e Itália
(0,8%). As taxas de juros reais dos EUA e França estão em 1,4%, enquanto que
na Alemanha está em 1,3%, Canadá, em 1,2% e Japão, 2,4%.
Ou seja, a taxa real de juros
estabelecida pelo BC continua sendo um grande atrativo para toda sorte de
especuladores e favorece a arbitragem (tomar dólar emprestado no exterior a
juros baixos e aplicar internamente em títulos públicos pela Selic).
“A decisão não se justifica,
pois a inflação está controlada e o crédito à pessoa jurídica ainda está
comprometido. Essa situação requer novo corte nos juros”, afirmou o
presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro
Neto.
De acordo com Monteiro Neto,
para que o Brasil possa dizer que efetivamente superou a crise é preciso que
sejam recuperados a produção industrial e os investimentos de longo prazo.
“Para tanto, é fundamental uma taxa de juros menor que a atual e competitiva
com as praticadas internacionalmente”.
Segundo nota divulgada pela
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “há espaço para a
redução da taxa de juros”.
CENTRAIS
As centrais sindicais condenaram a
decisão do BC de não reduzir os juros. Para o presidente da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva (Paulinho), a manutenção “é desastrosa para a
economia brasileira... estrangula a produção e amarra o crescimento
econômico”.
“Para esconjurar de vez a crise é
essencial a redução da taxa de juros. Manter os juros reais em 4,3% favorece
a especulação, quando o Brasil precisa de investimento na produção, geração
de emprego e aumento real de salários”, ressaltou o vice-presidente da CGTB,
Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira).
O presidente da CTB, Wagner Gomes,
sublinhou que o BC “mais uma vez preferiu ignorar os interesses dos que
defendem o desenvolvimento nacional e tratou de pisar no freio do
crescimento”.
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